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HISTÓRIA DO G.R.E.S.
UNIDOS DE LUCAS
A Unidos de Lucas nasceu da fusão de duas tradicionais escolas de samba do subúrbio da Leopoldina, que se destacavam nos carnavais da cidade, ambas localizadas no bairro de Lucas: a Aprendizes de Lucas e a Unidos da Capela.
A Aprendizes de Lucas, fundada em 15 de novembro de 1932, jamais foi campeã, embora tivesse leito excelentes desfiles. Entre seus fundadores, lembramos nomes como José Serrão (Cartola) Octacilio Marques, Jorge Novais (Joca) e Claudionor Saldanha. Jorge e Claudionor sugeriram o nome da escola, e Cartola suas cores.
A Unidos da Capela, fundada em 15 de janeiro de 1933, foi campeã em 1950 e 1960. Entre seus fundadores, citamos João Lé, Businfa, Alberto de Souza Carvalho, entre outros. Foi possivelmente a primeira escola a ter, entre seus filiados, homens de cor branca. Também primeira na organização de um curso de alfabetização.
Em 1966, as duas escolas se uniram surgindo a Unidos de Lucas, a "Galo de Ouro da Leopoldina". São fundadores D'artang Alves Campos (Businfa), Marco Aurélio Guimarães (Jangada), Asteclíneo Joaquim da Silva, Flogentino dos Santos (Morenito), Herlito Machado da Fonseca (Tolito), entre outros. |
FICHA TECNICA
CARNAVAL 2005 - SINOPSE DO ENREDO
"MAR BAIANO EM NOITE DE GALA "
1º SETOR - A CHEGADA DOS NEGROS
Bahia
1532 – Período do Brasil Colonial
Eis
que vem surgindo os navios negreiros derramando levas e levas de pretos
nas terras da Bahia. No porto, assustados, de pés descalços,
os africanos procuram adaptar-se a sua realidade no novo continente, tentando
desvendar todos os segredos do Recôncavo Baiano dos tempos do Brasil
colonial. Unidos pela dor e irmanados pela chama de uma fé sem
igual, os negros, com o objetivo de preservar ao máximo sua história
peculiar, seus costumes e crenças, buscam recriar, na nova terra,
sua religiosidade tão identificada com a verdade Ioruba, suas divindades,
seus protetores espirituais, seus orixás.
A presença africana modifica os hábitos e a cultura local,
imprimindo, mesmo sobre as condições de subjugação,
a sua marca, particularmente no aspecto religioso onde as crenças
africanas se fundiram com o catolicismo português, criando um sincretismo
onde as divindades da África passaram a ser identificadas com os
santos católicos e comemoradas no mesmo dia do calendário
da igreja.
2º SETOR - O AZUL-VERDE DO MAR
Quase
dois séculos depois, este sincretismo deu origem às diversas
festas religiosas muito conhecidas por todo o território baiano.
A Bahia, uma das mais belas regiões do Brasil, sabe entregar-se
ao seu povo e com ele fundir-se num só organismo, oferecendo todo
um ciclo de festejos em que a tradição ainda não
morreu e a alma popular se expande com toda sua naturalidade, tornando
o povo e a região num único ser, rico em pureza, em beleza,
em poesia, num colorido repleto da mais completa vitalidade, da mais graciosa
e perfeita comunhão.
Dentre as manifestações de origem religiosa que agitam o
local, neste período do ano, a principal acontece no dia 2 de fevereiro,
unindo a profana alegria do baiano à sagrada devoção
do calendário católico em que se comemora o dia de Nossa
Senhora das Candeias, identificada no candomblé, pelo sincretismo
religioso, como a Rainha das águas salgadas – Iemanjá.
A festa de Iemanjá ocorre em vários recantos do Recôncavo
baiano, mas intensifica-se mais ainda na histórica ilha de Itaparica,
no local conhecido como Rio Vermelho. Lá se dá o grande
encontro de todo o povo da Bahia com a majestosa mãe dos pescadores,
a mãe de todos os santos, a mãe de todos nós. É
o dia em que Iemanjá deixa o seu reino, nas profundezas das águas,
e transfere-se para a beira do mar para receber as louvações
e pedidos de seus filhos.
As ondas arrastam-se e deixam-se cair voluptuosas sobre as areias da praia
como se fossem as ondulações dos próprios cabelos
brancos de Iemanjá soltos ao vento. É o império do
fundo do mar, de todo o povo do mar, o império da Senhora absoluta
das águas, aquela que reina junto ao deus dos brancos: Netuno.
Nada se faz, nada se altera ou se transforma sem que seja pela força
de sua vontade. Pela mitologia iorubana, quase todos os deuses são
seus descendentes, o que a torna a mãe de tantos poderes e de tantos
nomes – Inaê, Dona Janaína, Oloxum, Princesa ou Rainha
do Aiuká e etc. Ela se apresenta com mil encantos, mas é
puramente identificada pela forma latina de um mulher sereia com seios
fartos e metade do corpo em forma de uma desproporcional calda de peixe.
3º SETOR - LOUVAÇÕES E OFERENDAS
No
dia 2 de fevereiro, logo no alvorecer, os negros da Bahia procuram a beira
da praia para ali louvar graças e levar oferendas a sua Rainha.
Os atabaques batem com força clamando os súditos para a
festa em sua honra. O povo da terra em romaria lota a enseada do Rio Vermelho,
num desfile de integrada magia, com fiéis de todas as origens e
meios sociais.
Pescadores prontos para a procissão marítima, baianas de
torso, crianças trazidas pelos pais, senhores da sociedade e sinhazinhas
arrumadas com seus vestidos vistosos, formam uma multidão que se
dirige a “Casa do Peso” onde se encontra o grande balaio sagrado,
uma cesta de vime imensa que receberá os presentes que serão
entregues, em pleno mar, para sua Dona.
Os pregoeiros ao redor do evento vendem as prendas necessárias
para o agrado a Iemanjá, são oferendas de todos os tipos,
acompanhadas de enormes bilhetes de toda a sorte de pedidos de ajuda.
“Corbeilles” de flores frescas ou artificiais, frascos de
águas de colônia ou caros perfumes franceses, frutas diversas
e os balangandãs – colares, pulseiras, brincos, assim como
diversos tipos de espelho.
As oferendas particulares são preparadas na areia, as outras, são
arrumadas dentro da grande cesta que é levada em procissão
até a beira da praia e colocada num saveiro, o “saveiro dos
milagres” e dos pedidos. Após o meio dia, anuncia-se a saída
dos presentes para Iemanjá, cessam-se os sambas, param as danças
de capoeira, os atabaques. Um canto religioso é entoado exaltando
as glórias da Rainha dos mares da Bahia.
O saveiro, que levará os presentes pelo azul-verde do mar afora,
já está pronto para a sua missão. Uma parte dos homens
segue a bordo, outros barcos, já repletos de cidadãos, seguirão
também formando a grande procissão, dirigindo-se para o
auto mar onde todas as cestas serão depositadas sobre as ondas.
Por tradição, as que mergulharem para o fundo são
porque foram aceitas, as outras, para tristezas dos fiéis, reaparecerão
após alguns dias na praia indicando que foram recusadas pela Deusa.
4º
SETOR - CANDOMBLÉ, A RAÇA SE IGUALA
De
volta da procissão, ao entardecer, os saveiros trazem nas suas
velas a mensagem da boa nova. Há um sinal para a terra e os cantos
se intensificam impregnados de maior religiosidade. Os sambas explodem
em algazarra e os capoeiras movimentam-se com mais agilidade. No Rio Vermelho,
a festa continua até a chegada da noite e, até os dias de
hoje, é levada de geração a geração
pela igualdade das raças que formam a enorme raça brasileira.
É difícil descrever em palavras a beleza desta festa, a
poesia deste povo sem preconceito e consciente de seu misticismo, de sua
religiosidade, de seus deuses africanos, de sua Rainha das águas.
Na noite do dia 2 de fevereiro, os atabaques vão ecoar por toda
a Bahia com mais intensidade e este ruído, este rítimo,
esta canção, prosseguirão madrugada adentro na sua
exaltação a Iemanjá. Nos rochedos noturnos do Rio
Vermelho, com as estrelas do céu refletindo no mar tranqüilo,
o som surdo dos cantos e batuques vindos dos terreiros de candomblé,
alcançará as profundezas das águas chegando no grande
império, onde a mãe suprema receberá, no seu reino,
todos os seus filhos orixás para celebrar o seu evento no mar.
O mar baiano, em noite de gala, silenciará com as bênçãos
de Zambi, o Rei do candomblé, que lá do alto do céu
estrelado, também reverenciará a Deusa das águas
da Bahia, esta sagrada Bahia que é a terra de todos os santos católicos
e, conseqüentemente, a terra de todos os deuses orixás.
Marcello Portella.
G.R.E.S. UNIDOS DE LUCAS
SEDE: RUA CORDOVIL, 333 –
PARADA DE LUCAS
FUNDAÇÃO: 01/03/1966
Tel.: 021(xx)2482-4329 / 21 9276-9479
CORES: AMARELO OURO E VERMELHO
ENREDO: MAR BAIANO EM NOITE DE GALA
PRESIDENTE: Paulo Soares da Silva Filho
CARNAVALESCO: Marcelo Portela
BARRACÃO: PRAÇA MARECHAL HERMES,
63 - SANTO CRISTO
DIRETOR DE CARNAVAL: Comissão
de Carnaval
AUTOR DO ENREDO: Max Lopes
AUTOR DO SAMBA ENREDO: Zeca Melodia, Nilton Russo
e Carlinhos Madrugada
INTÉRPRETE DO SAMBA: Edimilton
FIGURINISTA: Marcelo Portela
DIRETOR DE BARRACÃO:
DIRETOR DE HARMONIA: Lotar
DIRETOR DE BATERIA: Mestre Orelha
RESP. ALA DAS BAIANAS: D. Laide de Oliveia
RESP. ALA DAS CRIANÇAS: Tania
RESP. GALERIA VELHA GUARDA: D. Vava
RESP. COMISSÃO DE FRENTE:
PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Gláucia
e Marcos
SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
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