HISTÓRIA DO G.R.E.S. EM CIMA DA HORA

Dois dos fundadores, Leleco e Baianinho, antes de morarem em Cavalcanti, foram crianças no Catumbi, onde existia um bloco com o nome "Em Cima da Hora" (um dos primeiros do Rio de Janeiro). Quando rapazes após fundarem com outros moradores em Cavalcanti o bloco que inicialmente era conhecido como "Bloco do Leleco", nas cores verde e branco, resolveram dar o nome de Em Cima da Hora em homenagem àquela agremiação já extinta. e em 15 de Novembro de 1960 passou a Escola de Samba, sendo batizada pela Portela, adotando-se as cores Azul e Branco. Seu símbolo é um relógio marcando 3 horas com uma Lira ao fundo. Outra versão sobre o nome da escola é que nasceu de um bloco carnavalesco de Cavalcanti. Na reunião não se chegava a um acordo quanto ao nome, a discussão já se estendia pela madrugada, eram 3 horas da manhã quando um dos participantes exclamou: "tenho que me retirar, está em cima da hora". Dessa forma surgiram o nome e o símbolo da escola um relógio marcando 3 horas.
A escola do subúrbio de Cavalcanti, que fica próximo a Cascadura e Inhaúma, fez uma trajetória bonita no carnaval carioca, já tendo figurado no grupo principal 7 vezes. Pertence também a escola, o famoso compositor Baianinho, autor de inúmeros sucessos da MPB e João Severino, sambista dirigente que presidiu a agremiação durante anos e o famoso Cardosinho que dirigiu a ala dos elegantes e a velha guarda do Em Cima da Hora por varios anos, bem como durante muitos anos, a ela pertenceu o jornalista e vereador Sérgio Cabral.
Numa dessas vezes em que desfilou no grupo principal cantou um dos melhores sambas enredos de todos os tempos - OS SERTÕES, de Edeor de Paula. Paradoxalmente, em 1976, no Grupo 1, a escola foi desclassificada. Entre seus mais conhecidos admiradores podemos destacar: além do já citado jornalista Sérgio Cabral, o carnavalesco Fernando Pamplona, os dançarinos Carlinhos de Jesus e Luiz Klebb e o Deputado Sérgio Cabral Filho. É uma das escolas mais querida pela imprensa especializada em carnaval e também pela intelectualidade carioca. Dentre seus inúmeros troféus constam nada mais nada menos que CINCO "Estandartes de Ouro", lembremos:

  • Melhor Samba Enredo - Os Sertões - Edeor de Paula

  • Melhor Samba Enredo - A Literatura de Cordel - Baianinho

  • Melhor Samba Enredo - 33 Destino Pedro II - Guará e Jorginho das Rosas

  • Melhor Passista Masculino - Carlinhos de Jesus

  • Melhor Ala das Crianças - Coordenadas pela saudosa Dona Didi.

FICHA TECNICA

CARNAVAL 2005 - SINOPSE DO ENREDO

" Mãe baiana: signo da africanidade carioca "

O desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é o mais belo espetáculo do planeta, segundo os internautas, e mobiliza milhões de pessoas ano a ano. Tem, essa festa, a capacidade de atrair para si a atenção dos diversos olhares do mundo, face sua organização, beleza, originalidade e, acima de tudo, por se tratar de um espetáculo de cunho caracteristicamente popular.  Todavia, por detrás do fenômeno do desfile, que acontece nos dias de carnaval, esconde-se a peculiaridade desse evento: a cultura do samba; é a partir dessa visão que conduziremos o presente trabalho: o samba, a africanidade carioca e a Mãe baiana.

Ao pesquisarmos a Mãe baiana do carnaval, fomos, aos poucos, descobrindo aquilo que intuitivamente já sabíamos: é a Mãe baiana o marco da cultura negra na cidade do Rio de Janeiro. Para que possamos deixar claras as nossas intenções, vamos conduzir este resumo da mesma forma como conduzimos a nossa investigação, ou seja, passo a passo, indagando e tentando responder essas indagações.

1) Quem é a mãe baiana?

          A mãe baiana do carnaval carioca é, a princípio, uma personagem do desfile, cujos atributos são beleza, ternura, presença e afeto. A sua presença na festa, além da obrigatoriedade do regulamento, é uma necessidade da cultura do samba, dos sambistas e do próprio acontecimento. Embora muitas das baianas não tenham mais em sua pele as características da raça negra e muitas das vezes nenhuma relação de vida com a cultura do samba, ao se apresentarem em desfile, as suas imagens deixam-nos diante do fenômeno “baiana”, ou seja, um corpo que, ao ser possuído pela dança, pelo canto e pelo giro, impõe a presença de uma negritude carioca, fincada no solo da cidade do Rio de Janeiro através da resistência, da luta, da fé e da coragem da mulher negra recém liberta. Quando nos atentamos para a poética desse corpo, podemos perceber a presença de todas as mães, negras ou não, que lutaram e lutam por nosso povo.  É neste sentido que abordamos essa mãe baiana enquanto um signo de uma cultura de resistência.

Por que a mãe baiana é um ícone cultural?

           A história nos mostra que a baiana do carnaval é uma personagem que resume em si, em seus gestos, costumes, indumentária, crenças e atitudes, os traços da identidade cultural da cidade do Rio de Janeiro. A Mãe Baiana preserva valores de ordem mítica, ou seja, a sua presença preserva e garante o ato sagrado do sambista. Neste sentido, a baiana do carnaval é um patrimônio cultural de uma cidade que cresceu e se fortaleceu por qualidades herdadas da cultura negra.

Como o enredo pretende fazer essa abordagem?

         Em primeiro lugar o enredo pretende mostrar a chegada das mães negras, pelas águas do oceano atlântico, ao Brasil e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. Esse movimento migratório, somado à geografia e à política da cidade, propiciou o desenvolvimento de uma cultura afrobrasileira, permeada por características multiraciais, contudo, com fortes traços e predominância da cultura negra, resultando na cultura do samba e, posteriormente, das escolas de samba.

          Com esse movimento o Rio de Janeiro recebe os orixás, o axé, a capoeira, os santos negros, o candomblé, os ranchos de reis, entre outros. Nesse momento a mãe baiana está presente no papel da mulher que teve de reconstituir sua família a partir dos fragmentos que restaram de um regime escravocrata. As tias baianas, tais como tia Ciata, tia Bibiana, tia Perciliana, que, unidas, promoveram um movimento de resistência cultural e conseguiram africanizar uma cidade que, até então, tentava viver sob os moldes franceses.

        No segundo momento, o enredo deseja mostrar como essa cultura expandiu-se pela cidade, tornando impossível aos seus governantes separar negros e brancos, pobres e ricos, judeus e católicos, entre outros. Com a pergunta O que traz essa baiana? , este setor da escola mostrará o poder alquímico dessas mulheres que, necessitadas de trabalho, saíram às ruas com seus quitutes, com seus ungüentos, com suas rezas, com suas festividades, invadindo o cotidiano carioca, seduzindo a quem fosse tocado pos sua magia.

No terceiro momento, o enredo mostrará que, a partir desse movimento, provocado pelas mães baianas, a arte carioca e, posteriormente nacional, ganhará uma outra face, uma face brasileira, que será abraçada pelos modernistas Mário de Andrade, Cecília Meirelles e Tarsila do Amaral e se propagará pela Europa, dando ao país uma identidade artística própria, totalmente voltada aos valore nacionais. É nesse instante que o carnaval carioca, totalmente voltado à cultura do samba, se fortalece cada vez mais, selando com a cidade um pacto indissolúvel. A Mãe baiana se manifesta neste setor enquanto a poiesis  do carnaval, aquela que, como musa, tal qual o samba da Império serrano cantou “... a musa se vestiu de verde e branco e do canto se fez canto


                                      G.R.E.S. EM CIMA DA HORA

SEDE: RUA ZEFERINO COSTA, 556 - CAVALCANTE

TEL.: 021 (XX) 32968884 / 021 (XX) 259-99335 / 21 88642936

CORES: AZUL E BRANCO

ENREDO: MÃE BAIANA: SIGNO DA AFRICANIDADE CARIOCA

PRESIDENTE: MARILENE AMARAL LOPES

CARNAVALESCO: CIDA DONATO

BARRACÃO: PRAÇA MARECHAL HERMES, 63 - SANTO CRISTO

DIRETOR DE CARNAVAL: JEFERSON (BROTO)

AUTOR DO ENREDO:  CIDA DONATO

AUTOR DO SAMBA ENREDO:  Jayme César, Ivani Ramos, Biscoito e Nilson Castro

INTERPRETE: ANTONIO CARLOS (FUGUERA)

VEJA A LETRA DO SAMBA ENREDO

OUÇA O SAMBA

FIGURINISTA:  CIDA DONATO

DIRETOR DE BARRACÃO:  ROBSON

DIRETOR DE HARMONIA: ROGERIO

DIRETOR DE BATERIA:    PITASSIO - ROBINHO - DOUGLAS E ELIAS

RESP. ALA DAS BAIANAS:  VILMA RICARDO

RESP. ALA DAS CRIANÇAS:  JORGE HENRIQUE(TAMPA), EMILIA E PEDRINA

RESP. GALERIA VELHA GUARDA:  VANDERLUBE BICUDO

RESP. COMISSÃO DE FRENTE:  Carla Veronica e Liliplisseia

PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:  CIDA LIMA E ZE LUIZ

SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira: LUANA E DANIEL  

TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:   CHAIANE e ARTUR

Símbolo: