|
HISTÓRIA DO G.R.E.S. ACADÊMICOS
DO CUBANGO
Foi na antivéspera dos festejos natalinos de 1959, precisamente no dia 17 de dezembro, que nascia, na cidade de Niterói, a escola de samba Acadêmicos do Cubango.
Aproveitando-se do silenciar dos batuques da Império Serrão, que até aquele momento era a escola reduto dos sambistas dos morros do bairro do Cubango, foi que um grupo de bambas, dentre eles Ney Ferreira e Carlinhos Manga-Espada, decidiram reascender a chama do samba criando uma nova agremiação carnavalesca. A Cubango, portanto, nasce de uma simbiose de sambistas dos morros São Luiz, Mangueirinha, Abacaxi e Serrão que ao romperem com o silêncio deixado pela Império Serrão criam uma escola de samba que fará sua história baseada nas tradições de sua comunidade. Assim sendo, seus dirigentes e componentes fizeram questão de conservar na Cubango aquilo que na linguagem do sambista é fundamental para uma escola de samba: o seu chão, ou seja, a sua comunidade. |
 |
| Parte de nossa "Ala de Compositores",
vendo-se Luis Carlos Gracindo, Heraldo Farias, Maizena,
timbó, Chiquinho, Flavinho Macahdo e João
Tapê. |
|
A verde e branco de Niterói procurou sempre manter na elaboração de seus carnavais a preservação e a afirmação de sua identidade como escola de comunidade, e isto passou sempre pela defesa e criação de enredos que expressam a cultura da mestiçagem brasileira. A própria denominação Cubango é um exemplo disto, pois tal palavra aparece como derivação “u-bang” da língua indígena, cujo significado seria “terras escondidas”; como também expressa o nome de um rio da Angola, país da África. Presume-se que os escravos vindos de Angola adaptaram o indígena “u-bang” para Cubango. Os primeiros ensaios da Cubango foram realizados em um terreno de propriedade de José Figueiredo, o primeiro mecenas da verde e branco.
Durante os anos de 1960 e 1970 a Cubango realizou seus ensaios nos clubes Fluminense e Fonseca até conseguir no final dos anos 70 definitivamente a sua quadra na Noronha Torrezão. A participação da Cubango nos desfiles de Niterói começa em 1960 quando consolida o seu nomeganhando o tetra campeonato na Academia do Samba, uma espécie de segundo grupo do carnaval, com o enredo “Sonho das Esmeraldas”.
A participação da Cubango nos desfiles de Niterói começa em 1960 quando consolida o seu nome ganhando o tetra campeonato na Academia do Samba, uma espécie de segundo grupo do carnaval, com o enredo “Sonho das Esmeraldas”. |
 |
| Ney Ferreira, o presidente em 1979, abraçando tia Lourdes, uma das nossas fundadoras. |
|
|
No carnaval de 1964 fez sua estréia entre as escolas do primeiro grupo, ganhando assim o nome de Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Cubango. Neste ano passou na avenida com o enredo “Maurício de Nassau”, conquistando o vice-campeonato.
Seu primeiro título na elite do carnaval de Niterói ocorreu em 1967 com um enredo muito em moda na época: “O Brasil pintado por Debret”. Mas foi em 1972 que ocorreu a grande consagração.Com um desfile impecável, a Cubango consagra o tema “Um rei Congo Sabará” como também o estilo de enredo afro, que passa a ser o mais preterido pela escola a partir daí.
Em 1975, com o título de campeã, a Cubango desfilou na Amaral Peixoto com o enredo “Folclore: riqueza do Nordeste”.Este campeonato foi o primeiro de uma seqüência de cinco títulos. Em 1979, com o enredo “Afoxé”, a Cubango consolidou seu império no carnaval de Niterói. Na década 1970 foram sete títulos em dez dos disputados.
|
 |
Os anos de 1980 foram marcados por uma transição importante na verde e branco. Em virtude de uma crise econômica e política que atingiu o carnaval de Niterói, a Cubango, prevendo o fim dos desfiles na cidade, que de fato ocorrera nos anos 90, junto com a Viradouro enfrentou o desafio de desfilar na “Cidade Maravilhosa”. As escolas de Niterói seguiriam caminho parecido com o que foi percorrido nos anos 70 pela até então desconhecida escola de Nilópolis, a Beija-Flor, que encantou o Rio de Janeiro e projetou aquele município para o mundo. Nos desfiles no Rio de Janeiro, a Cubango não demorou a afirmar sua posição de grande escola do carnaval. O início não foi fácil, a Cubango teve que passar por todos os grupos de acesso até atingir o Grupo A.
Em 1986, no seu primeiro ano no desfile carioca, a Cubango não decepcionou e foi a campeã do Grupo IV, adquirindo assim o direito de subir para o Grupo III. Em 1987, com o enredo “Ave Bahia cheia de graça”, foi injustiçada. |
| No destaque, Mãe Tiana, uma de nossas fundadoras; |
|
Toda a crítica especializada, incluindo a do jornal “O Globo”, foi unânime em afirmar ter sido a escola de Niterói a melhor à passar pelo melancólico desfile do Grupo III realizado na Avenida Graça Aranha. A Cubango ficou em quarto lugar, não conseguindo acesso ao Grupo II. Em 1992, com o enredo “Negro que te quero negro”, chegava ao Grupo I.
No carnaval de 2004, surpreendendo à toda crítica que dava como certa sua descida para o Grupo B alegando a limitação do enredo, a Cubango fez um desfile que sensibilizou grande parte da arquibancada da Sapucaí e a maioria dos jurados. Assim a escola alcançou um honroso e surpreendente quinto lugar.
|
|
FICHA TECNICA
CARNAVAL 2005 - SINOPSE DO ENREDO
" O FRUTO DA ÁFRICA DE TODOS OS DEUSES
NO BRASIL DE FÉ. CANDOMBLÉ "
África, terra de deuses e mistérios, onde o "criador" "Olodumaré" busca entre seus filhos um homem para fazer florescer uma civilização organizada e próspera, tendo como fé a adoração dos elementos da natureza. A responsabilidade deste acontecimento fica por conta de um príncipe muçulmano de nome Oduduá, que por influência do "criador" adota uma nova visão de fé, contrariando os ensinamentos muçulmanos ao qual foi educado. Oduduá consegue converter muitos à sua nova doutrina, que o acompanham como seus seguidores no momento de seu banimento do reino. E assim, provenientes do norte, caminham rumo ao oeste num período de 90 dias.
Oduduá encontra um grupamento de aldeias pequenas e desorganizadas. Utilizando os conhecimentos de administração e força, subjuga as populações das aldeias e funda Ifé, a primeira cidade, iniciando assim, a dinastias dos Reis de Ifé.
A expansão do seu Reino coube aos seus netos que herdariam sua coroa, eram eles sete príncipes: Olówu que reinou em Egbá, Onisabe que reinou em Savé, Orangun que reinou em Ilá, Óoni que foi rei em Ifé, Ajerô que reinou em Ijerô, Alaketu que reinou em Ketu e Oranian que reinou em Oyó.
Oranian foi o fundador da dinastia dos reis de Oyó. O mito da criação do mundo tal como é contado em Oyó atribui-lhe esse ato a ele e não a seu avô Oduduá. Evidentemente que o mito da criação do mundo é um reflexo da lenda histórica da origem das dinastias e a supremacia alcançada por Oyó sobre os demais reinos, a quem devem pagar tributos e impostos a cidade e vir participar uma vez por ano de uma festa dedicada ao grande fundador patriarca. Esta hegemonia é contada em muitas lendas narradas em Oyó,onde lembram que os demais príncipes tiveram suas vidas poupadas e receberam suas terras por condescendência de Oranian, que tornou-se Rei de Oyó e soberano da nação Yorubá, isto é, de toda terra.
A religião yorubana é composta de uma rica mitologia de deuses que representam as "forças da natureza" e cada um tinha seu culto especifico num reino, aldeia ou região. Na África os orixás eram cultuados não em simultaneidade num grande panteão de deuses, e sim, como divindades específicas a um determinado lugar. Existem várias versões dos mitos dos orixás contados na África, alguns incompatíveis, entretanto, a essência pode ser perfeitamente absorvida através desta narrativa que explica a associação das forças da natureza a cada orixá: "Quando o planeta era um vasto oceano e os orixás queriam conhecê-lo, a "terra" foi criada e os deuses desceram do céu para cada um escolher uma parte do mundo que lhe agradasse, que passou a ser seu domínio. Assim, Oxum escolheu as águas doces; Iemanjá as águas salgadas;Iansã quis os ventos; Xangô os trovões e as cachoeiras; Obaluaiê a terra firme; Nana a lama dos fundos dos rios e os abismos; Ogum preferiu as montanhas e os minérios; Ossanha e Oxossi as matas e florestas; Oxumarê o arco-íris; Ewá o horizonte. Apenas Exu não sabia o que escolher, pois tudo e nada lhe agradava. E considerou-se assim dono de tudo um pouco, com que os demais orixás concordaram. Desse modo o mundo foi criado e dividido entre os orixás, e é por isto que cada um detêm o domínio de uma parte da natureza."
Assim a semente plantada por Oduduá e Oranian cresceu e floresceu. Na África desenvolveu ricos e organizados reinos que a partir do contato com o europeu no século XVI, foram estabelecidos acordos comerciais na qual o produto a ser negociado é o próprio africano para vir trabalhar no Novo Mundo, como escravo, no processo de colonização das Américas. Surge um período de intensas guerras tribais e desarticulação de muitos Reinos, iniciando um processo de declínio da civilização yorubá. Navios negreiros cortam os oceanos trazendo os filhos da África para a escravidão no Novo Mundo.
No Brasil, os filhos da África deixam as desavenças e os ódios de sua terra natal para se unirem pela fé em prol de um bem comum: a liberdade.
Transformações importantes ocorrem no Brasil devido a mistura de diversas etnias, tradições e cultos religiosos, ocasionado uma fusão entre muitos orixás. Cerimônias e cultos que seriam assimilados numa única e central forma de preservação com algumas variantes. Um único panteão de deuses estabeleceria os vínculos, cuja forma de culto esta fundamentada na cultura Yorubá (nagô), servindo de modelo às outras etnias, principalmente as localizadas na Bahia - essa é base na qual se desenvolve o que vai ser denominado "Candomblé".
O "Candomblé" se torna o fator preponderante de preservação da identidade do negro no território brasileiro, mantendo acesa a ligação cultural e religiosa com a grande "Mãe África".
Foi na Bahia, na cidade de Salvador, que surgiu a mais antiga casa de candomblé do Brasil, "a Casa Branca do Engenho Velho", que foi fundada por três tias, Adetá, Iya Akala e Iya Nasó, que tem sua procedência nos Yorubás, de origem Ketu, a quem rendemos nossa homenagem pela luta e determinação na preservação da cultura religiosa, que muitas vezes mesmo sofrendo perseguições das autoridades locais, mantiveram viva a chama do Candomblé.
Em nossa homenagem não podemos deixar de citar as figuras de Mãe Senhora, Mãe Menininha do Gantois do Terreiro do Gantois; Mãe Aninha e Tio Joaquim fundadores do terreiro Axé Opô Afonjá; Tio Elisio e Martiniano Bonfim do Terreiro Alaketu e Pai Procópio do terreiro Ilê Ogunjá que também são bastiões do "Candomblé" na sagrada cidade de "Salvador de todos os Deuses e Orixás".
A força da fé preservou o legado deixado por Oduduá e Oranian e todo valor vigoroso do continente africano. Mesmo sobrepujado por outras Nações, conseguiu abraçar o Novo Mundo, principalmente o Brasil. A força de sua cultura e religiosidade e a união deste povo aqui desenvolvida em prol da liberdade, se torna a principal fonte de preservação dos costumes e tradições de "Mãe África!".
Jaime Cezário
Carnavalesco
G.R.E.S. ACADÊMICOS DO CUBANGO
SEDE: RUA NORONHA TOREZÃO, 560 - CUBANGO - NITEROI
FUNDAÇÃO: 17/12/1959
Tel.: 9971-2286 / 2719-7720
CORES: VERDE E BRANCO
ENREDO: " O FRUTO DA ÁFRICA DE TODOS OS
DEUSES NO BRASIL DE FÉ. CANDOMBLÉ "
PRESIDENTE: OLIVIER LUCIANO VIEIRA (PELÉ)
CARNAVALESCO: JAIME CEZÁRIO
BARRACÃO: PRAÇA MARECHAL HERMES, 63 c - SANTO CRISTO
DIRETOR DE CARNAVAL: GENILSON
DOS SANTOS (GUDIZILA)
AUTOR DO ENREDO: JAIME CEZÁRIO
AUTOR DO SAMBA ENREDO: FLAVINHO MACHADO, ROGERÃO,
GILBERTH DE CASTRO, RUBINHO, CARLINHO DA PENHA E RAFAEL COUTINHO
INTÉRPRETE DO SAMBA: TIÃOZINHO
CRUZ
FIGURINISTA: JAIME
CEZÁRIO
DIRETOR DE BARRACÃO: WALTER OUVERONEY DA
COSTA
DIRETOR DE HARMONIA: HERALDO FARIA
DIRETOR DE BATERIA: MESTRE JORJÃO
RESP. ALA DAS BAIANAS: D. PRETA
RESP. ALA DAS CRIANÇAS: IRIS DELMAR
RESP. GALERIA VELHA GUARDA: Sr. ÁLVARO CERQUEIRA
RESP. COMISSÃO DE FRENTE: ALEXANDRE
PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira: VINÍCIUS
E ALINE
SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira: GUGU
E GISELE
TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
| Símbolo: |
|
| |
|
| |
|
| |
|
|
 |
|
|
|