HISTÓRIA DO G.R.E.S. UNIDOS DE COSMOS

Fundada em 1° de janeiro de 1948, a verde e branco da Rua Iguaraçu teve em seu primeiro carnaval o enredo Vitória-régia. Escola de samba de pequeno porte, bairro (Cosmos) longínquo em relação à cidade do Rio, logo enfrentou problemas, ficando, após o carnaval de 1952, fora dos certames oficiais.
            Passou, então, a competir nos desfiles organizados em Campo Grande e Santa Cruz. Em 1969, ainda filiada à confederação que não lhe dava apoio, desfilou na Praça Onze, sem subvenção, apenas para garantir a vaga para 1970.
            Como a confederação não oficializou sua apresentação, a agremiação se filiou à Associação das Escolas de Samba e começou a desfilar oficialmente em 1971.
            Em 1992 a escola foi suspensa da Associação por ficar na última colocação. Tentou retornar em 1998, mas não foi aprovada na Avaliação da AESCRJ. Em 2003, conseguiu se filiar novamente e desfilar com as escolas do Grupo E.

FICHA TECNICA

CARNAVAL 2007 - SINOPSE DO ENREDO

" SOU COSMOS 100% NEGRO, DA ABOLIÇÃO AOS DIAS ATUAIS"

Justificativa:

Cosmos pretende mostrar a vida do negro após a Abolição, chegando até os dias atuais com a defesa de algumas bandeiras negras: a Lei de Cotas e a implementação da Lei nº 10639 de 2003 que institui a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos afro-descendentes no Ensino Básico do País. A verde e branca da rua Iguaraçu também exaltará muitos negros que se destacaram em vários setores da sociedade brasileira.

Desenvolvimento do Enredo:
A Abolição da escravatura no Brasil deu-se em 13 de maio de 1888. Ela aconteceu em face a luta empreendida por vários setores da sociedade brasileira. Desde a Independência do Brasil, perguntava-se: O Brasil terá escravos? Ou não terá mais escravos? A Independência de 1822 contemplou os interesses dos latifundiários escravistas e o novo país continuou com a escravidão herdada do Período Colonial.
Durante muito tempo foi ensinado nas escolas a história que os negros africanos foram escravizados porque eram pacíficos e não reagiram a escravidão no Brasil. O que não é verdadeiro, porquanto os quilombos e a Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia contradizem a história oficial ensinada por décadas na escola brasileira. A resistência dos negros quilombolas, dos abolicionistas e dos negros libertos contra a escravidão alavancaram o processo de libertação de todos os negros brasileiros. A conjuntura internacional desfavorável a continuidade do escravismo brasileiro e as pressões internas levaram a Monarquia Brasileira a abolir a escravidão com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. A Abolição da escravatura de 13 de maio de 1888 não trouxe a igualdade entre brancos, negros e mestiços. A Republica Oligárquica que foi implantada em 15 de novembro de 1889 criou uma legislação que discriminava e alijava o negro de uma participação efetiva na sociedade brasileira. Ainda no Governo Provisório Republicano, 1890, A Lei da Vadiagem tem um publico alvo: o negro recém liberto, perplexo, em busca do que fazer. No Distrito Federal e em São Paulo a concorrência com os imigrantes por empregos urbanos, dificulta a inserção dos negros no mercado de trabalho da época. A capoeira foi perseguida no inicio da República, final do século XIX e inicio do século XX. O Código Penal Republicano criminalizava a capoeiragem. A prisão e o degredo foram armas utilizadas com as turmas de capoeiras: Capoeiras degredados para Fernando de Noronha, para o Acre, na construção da Ferrovia Madeira – Mamoré (Ferrovia da Morte).
A Revolta da Chibata, no inicio da República Velha, insurreição de marinheiros de baixa patente com os maus tratos e torturas sofridas por eles na Marinha de Guerra Brasileira, foi liderada por João Cândido, o Almirante Negro. Ao final da revolta os marinheiros conseguiram acabar com a tortura na Marinha de Guerra. Ressaltamos que nesta época a maioria dos praças da marinha eram negros.
Em 1893, inicio da Republica, o Prefeito Bento Ribeiro, mesmo com forte reação popular, demoliu o famoso cortiço “Cabeça de Porco” que abrigava cerca de 2000 pessoas, principalmente negros e mestiços pobres do centro do Rio.
Com a posse de Rodrigues Alves em 1902 e a nomeação de Pereira Passos e do seu auxiliar Paulo de Frontin teve o inicio “O Bota – Abaixo” que demoliu mais de 600 prédios no Centro da Cidade. A abertura de ruas e o alargamento de ruas existentes, a construção de prédios maiores em substituição aos casarões e sobrados do Período Colonial e Imperial. Mas O “Bota-Abaixo” de Pereira Passos Também tinha o objetivo de tirar a população pobre do Centro do Rio. Com isso, parte da população negra foi em direção aos subúrbios, outra parte concentrou-se na Praça Onze (Cidade Nova), Estácio e Zona Portuária. O fato é que a modernização da cidade fez surgir a favela com todos os problemas sociais. Durante a Republica Velha houve a perseguição aos cultos afro-brasileiros. Os terreiros de candomblé funcionavam clandestinamente, sofrendo com as batidas policiais que perseguiam os praticantes dos cultos afro-brasileiros.
Os trabalhos braçais do Cais do Porto até a Abolição eram exercidos quase exclusivamente por negros escravos. Após o Treze de Maio surgiu a “Sociedade de Resistência dos Trabalhadores em Trapiches de Café”.
A “Resistência” notabilizou-se pela defesa dos seus filiados e por ter ligação com algumas escolas de samba que surgiram, como a Vizinha Faladeira e a Império Serrano. Desde os primórdios a “Resistência” mantinha um rancho carnavalesco, o Recreio das Flores, na Saúde. Estivadores e arrumadores do Cais do Porto do Rio, mesmo após a “abolição” continuaram sendo os negros. Apesar de ter imposto a sua cultura o colonizador europeu não conseguiu destruir as culturas dos povos indígenas e as culturas dos negros africanos que vieram como escravos. A prova disso é que os cultos afro-brasileiros apesar de serem perseguidos e discriminados resistiram. O mesmo se pode dizer da tradição musical dos negros e o samba é um grande exemplo de resistência cultural aqui no Rio de Janeiro. No final dos anos vinte surgiram as escolas de samba. No Largo do Estácio se reuniam os bambas e eles fundaram a primeira agremiação carnavalesca que recebeu o nome de escola de samba, A Deixa Falar de Ismael Silva, Bide, Heitor dos Prazeres e tantos outros maiorais do novo batuque que se firmava. Nos seus primórdios as escolas de samba e os sambistas foram perseguidos. Mas coube ao saudoso Prefeito Pedro Ernesto oficializar os desfiles das escolas de samba e até auxiliá-las com uma pequena subvenção. Muitas escolas de samba se desenvolveram, tornando se escolas de samba S.A; entretanto em pleno século XXI, a maioria das escolas de samba do Rio de Janeiro sofre com a falta de recursos e com o descaso das autoridades que só têm olhos para grandes escolas de samba. Hoje o negro sambista está sendo alijado das escolas de samba S.A.
A partir de meados dos anos quarenta do século passado o movimento negro se fortalece e a luta contra a discriminação racial e pela efetiva inserção dos negros na sociedade brasileira ganha corpo. Mas o século XX finda-se e a luta do negro brasileiro continua. O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado no congresso nacional e que unamos nossas forças pra que ele seja cumprido.
A Lei de Cotas “para os negros, índios e pobres é o começo do resgate social, a reparação da enorme dívida que a sociedade brasileira tem com os negros, índios, e os pobres deste país. A “Lei de Cotas” está democratizando o ingresso nas universidades públicas. Com ela o negro também pode ser doutor.
A outra grande conquista do negro brasileiro e a Lei federal nº 10639 de 2003 que institui a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos afro-descendentes na educação básica do país. Com o ensino da história da África conheceremos um pouco das sociedades africanas de onde vieram os nossos ancestrais e muitos estereótipos com relação aos negros cairão por terra.
Na parte final do nosso enredo destacamos, alguns negros que brilharam em vários setores da sociedade brasileira. Destacamos aqueles que brilharam nas artes, nos esportes; mas não negaram jamais a sua negritude. Na literatura merecem ser citados os poetas Luis Gama, Cruz e Souza e Solano Trindade. “Eta negro quem foi que disse, que a gente não é gente? Quem é esse demente? Se têm olhos mas não vê” Solano Trindade. Ainda na Literatura merece destaque o maior dos escritores brasileiros: Afonso Henriques de Lima Barreto que um dia nos disse: “Escrevo para a redenção de todos os brasileiros pobres”. Outro escritor negro que merece destaque é Nei Lopes por seus livros de resgate da História do Negro Brasileiro. Nei é escritor, compositor e sociólogo. Nas artes cênicas (Teatro, Cinema e Televisão) Merecem ser destacados: Abdias nascimento, Ruth de Souza, Milton Gonçalves, Zezé Mota, Antonio Pitanga, o Genial Grande Otelo. Na musica São tantos os artistas negros que merecem ser lembrados, arbitrariamente escolhemos alguns: Pixinguinha, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Ataulfo Alves, Cartola, Silas de Oliveira, João da Baiana, Lecy Brandão, Elizete Cardoso e Alcione. Nas Artes Plásticas: Aleijadinho, Mestre Valentim, Januário, Heitor dos Prazeres e José Paixão. Nos esportes destacamos: Adhemar Ferreira da Silva, Bicampeão olímpico do Salto Triplo, João do Pulo, Leônidas da Silva, “O Diamante Negro”, Pelé, o fantástico Mane Garrincha, Ronaldinho Gaúcho e a Ginasta Daiane dos Santos. Por fim negros que destacaram se por suas lutas políticas e por seus projetos culturais. A ex-favelada, Benedita da Silva, vereadora, deputada federal, ex-senadora e a primeira mulher negra a se tornar governadora de um Estado brasileiro.O sociólogo e militante negro, ativista cultural da zona oeste carioca, Ozéas Gomes Laranjeiras. Que os poetas da Unidos de Cosmos possam captar a essência do enredo “Sou Cosmos 100% Negro...” não advogamos a causa da superioridade racial dos negros e sim da igualdade racial. Os versos do falecido poeta negro Ozéas Gomes Laranjeiras diz tudo pra gente: “que o Mundo saiba que temos orgulho do nosso sangue africano!”.


                                      G.R.E.S. UNIDOS DE COSMOS

SEDE:  Rua Iguaraçu, 191 - Cosmos

QUADRA: Rua Iguaraçu, 191 - Cosmos

Tel.: 021(xx) 2406-0192 / 9857-7639

CORES:  VERDE E BRANCO

FUNDAÇÃO: 01/01/48

ENREDO: SOU COSMOS 100% NEGRO, DA ABOLIÇÃO AOS DIAS ATUAIS

PRESIDENTE: José Geraldo dos Santos

CARNAVALESCO: WAGNER SILVA E OSMAR COSTA

BARRACÃO: Rua Iguaraçu, 191 - Cosmos

DIRETOR DE CARNAVAL: DOUGLAS NUEVO

AUTOR DO ENREDO: MARIA DE LOURDES E DULCE VASCONCELOS

AUTOR DO SAMBA ENREDO: RAFAEL, ROSELE DA SANTA CRUZ, DANIEL SILVA, GERALDO VITORINO E QUINZINHO DA VILA

INTÉRPRETE DO SAMBA: ALUISIO MADRUGADA E LEVI

OUÇA O SAMBA ENREDO

FIGURINISTA: PATRICK SILVA E VERÍSSIMO

DIRETOR DE BARRACÃO: PASTEL

DIRETOR DE HARMONIA: VLADIMIR WAINER E ORLANDO

DIRETOR DE BATERIA: SERGIO DA VILA, BARBUDO E ARISTOTES

RESP. ALA DAS BAIANAS: LUZIA VITORINO

RESP. ALA DAS CRIANÇAS: MONICA E CARLOS

RESP. GALERIA VELHA GUARDA:  IVETTE DOS PRAZERES

RESP. COMISSÃO DE FRENTE: 

PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira: WENDEL E NAZARÉ

SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:  ROBERTO E SUELEN

TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:  

Símbolo:  
 
   
 
CARNAVAL 2007