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HISTÓRIA DO G.R.E.S. INDEPENDENTE DA PRAÇA DA BANDEIRA
A escola de samba Arrastão de São João passou a se chamar Independente da Praça da Bandeira, porque, em 2001, se juntou com um Bloco (de mesmo nome), na Localidade de Praça da Bandeira, no Município de São João de Meriti, e não, na famosa Praça que todos nós conhecemos, próximo ao Estácio e a Vila mimosa.O Bloco sempre foi muito mais forte que a escola, em São João de Meriti, por isso, a diretoria da agremiação, optou pela união das duas agremiações.
FICHA TECNICA
CARNAVAL 2007 - SINOPSE DO
ENREDO
" ECOA UM GRITO DE LIBERDADE
NOS QUILOMBOS DA BAIXADA "
Vem da foz dos rios Sarapuí,
Iguassú e Meriti, um grito que atravessou as eras à
procura de liberdade, para os quilombos da Baixada. Mesmo depois
de quase 500 anos da chegada dos primeiros navios negreiros ao Rio
de janeiro, a luta do povo negro não findou. Eles que foram
trazidos da mãe África, na sua maioria Bantus originários
principalmente dos portos de Luanda, congo, Cambinda e Benguela.
Nem todos os negros eram camponeses, muitos ocupavam altos cargos
na hierarquia sócio-política de suas tribo e nações,
condição que não foi respeitada pelos pseudoscolonizadores,
que além de os colonizarem, ainda os infligiam a pior de
todas as opressões a “Cultural”, já que
os negros africanos foram obrigados a mudarem seus costumes e religião,
para se adequarem ao estilo de vida dos brancos.
Após aportarem no Rio de janeiro os escravos foram levados
ao interior, para trabalharem nas lavouras e outros trabalhos manuais.
As margens do Rio Meriti os negros ajudaram a formar o povoado de
São João de Trairaponga, que mais tarde se tornaria
à cidade se São João de Meriti e nesta cidade
encontra-se a igreja da matriz, uma das mais antigas da baixada
Fluminense construída pelas mãos dos negros escravos.
Apesar de não ser relatado nos livros de história
a maioria dos negros nunca aceitaram esta condição
de escravos.
Nascido da opressão o candomblé a verdadeira expressão
da religiosidade brasileira, mostrando a diversidade e a unidade
do nosso povo. Mãe Aninha de Xangô, que junto com Bamboxê
e oba saniá, fundaram uma das primeiras casas de Candomblé
do Rio de janeiro e mãe Agripina de Souza de Xangô,
que levou o axé para a Baixada fugindo da repressão
política , da polícia e do preconceito contra a religião
do negro. Unidos contra a repressão foram até falar
com Getúlio, mostrando que o negro através dos tempos
sempre resistiu a todas as formas de opressão, mantendo a
sua fé. Assim fez Joãozinho da Goméia, conhecido
como o Rei do candomblé. Outro foi João Candido, que
muito rebelde desde cedo, tornou-se marinheiro, quando retornou
da Inglaterra começou sua própria guerra, com um tiro
de canhão avisou a toda nação, que para os
marinheiros, enfim tinha acabado a escravidão.
Durante muito tempo para a igreja católica o negro era um
ser inferior pois não tinha alma . Tentando apagar aquela
época de obscuridão, nos anos oitenta ela promoveu
varias ações, que mobilizaram toda a sociedade, para
reavaliar a questão do negro. Foram realizados na paróquia
de São João de Meriti, várias missas inculturada,
casamentos e batizados afros, começando assim, um grande
despertar, mostrando que a convivência é possível,amém
Frei Tatá, axé Frei David.
Reis e rainhas, vindos das terras
D´África para o Brasil, foram escravos a margem do
Rio Sarapuí, depois tornaram se Quilombolas Baixadenses,
ajudando na construção das cidades e formação
deste povo maravilhoso. O negro, que já foi rei, escravo
e humilhado, hoje já pode ser seu próprio advogado,
e assim, quebrando os grilhões da escravidão. A azul,
verde e branco da Baixada, trás para avenida a história
de um povo, que nunca se entregou. Lutou e luta todos os dias. Com
ações afirmativas e as cotas para o povo negro, já
conseguiram algumas vitórias: negro deputado, senador, prefeito,
diretor, gerente, ator global e quem sabe um dia presidente. Universitário
ou Quilombola, vindo das terras de Angola, o povo negro se revoltou,
evoluiu e se organizou nas margens do Rio Meriti, hoje o negro é
Independente e vai desfilar a sua história na Sapucaí.
SINOPSE DO ENREDO
1º Setor
Quando os europeus chegaram no Continente
Africano, grandes reinos com poderosos exércitos, usando
armas de ferro, seguindo sua tradição belicosa lutavam
entre si, o que facilitou a penetração dos colonizadores,
a decadência tem início com a derrocada do Império
Kanem Bornu e se completa com a chegada dos civilizados europeus
e sua missão cristianizadora.
Foram as notícias das descobertas das minas africanas chegadas
a Europa, que levaram Paulo Dias Novais a procurar as minas de pratas,
em 1571 lhe é concedida a terra conquistada em forma de capitania
hereditária. Em 1576 fundou a cidade de Luanda, no território
de Ndongo cujo governante aceitava o título de Angola., abandonado
pela metrópole concede aos aventureiros e aos jesuítas
as “encomiendas” espanholas, o “amos” que
lhe dava direito ao uso da terra, incluindo os nativos.
Em 1581 o Acordo de Tomar, no qual as cortes portuguesas e reconheciam
Felipe II de Espanha como rei de Portugal o que assegurava autonomia
administrativa Lusitana no reino e em suas colônias em seguida
empreenderam a conquista e dominação dos “sobas”
2° Setor
Origem da africaniedade da baixada Fluminense
A região que se conhece por
Baixada Fluminense pode ser representada por “mosaicos da
escravidão”, haja vista os diferentes grupos de procedência
africana que são identificados na documentação
de época. É possível afirmar que a maioria
esmagadora dos escravos que foram trazidos para a região
durante o período colonial foi de origem bantu, principalmente
de Angola, entretanto, também se pode identificar várias
outras nações africanas como Congo, Benguela, Cabinda,
etc.
Os escravos quando chegaram ao Brasil eram empregados em diversos
ofícios, entre eles destacavam-se a lavoura, o comércio
e o transporte. Além de escravos lavradores, também
havia os barqueiros, os carpinteiros, os barbeiros, pedreiros, mestre
de açúcar, etc.
3º setor
Formação da baixada / Formação dos quilombos
Com as Freguesias, montou-se a base
de ocupação inicial da região no período
colonial. Seus núcleos, invariavelmente às margens
de um rio, eram formados por uma Igreja Matriz, por pequeno comércio
e oficinas e por um porto responsável pelo transbordo da
via terrestre para a via fluvial e vice-versa, das mercadorias que
circulavam entre o litoral e o planalto. A religião estabelecia
justificativa universal que ia desde o nome da Freguesia até
as relações escravistas. Assim, Nossa Senhora do Pilar
de Iguaçu, São João de Meriti, São Nicolau
de Suruí, Santo Antônio de Jacutinga, Nossa Senhora
da Piedade de Iguaçu e Nossa Senhora de Marapicú,
mais do que a mistura de nomes se santos católicos com nome
de lugares indígenas constituíram a sede administrativa,
social e ideológica demandada pela produção
escravista.
Nas construções das Igrejas Matrizes e das capelas
já se entreviam as imbricações dos interesses
que movimentavam o poder local. De um lado, a Coroa Portuguesa liberando
recursos da Fazenda Real, entenda-se tributos, para as obras de
construção, do outro as doações de terrenos
por proprietários em busca de prestígio social e de
proximidade com os que tinham monopólios dos bens de salvação,
isso quando não visavam à elevação religiosa
dos seus próprios nomes, como no caso da capela de São
Nicolau de Suruím, nas terras doadas por Nicolau Baldim,
ou na de São Francisco, nas terras doadas por Francisco Dias
Machado, ambas pro volta de 1647.
A estratégia dos caminhos na articulação dos
interesses em jogo nas vilas-entrepostos conhecerá lances
de verdadeira disputa, sobretudo a partir do crescimento da circulação
do ouro de Minas, no final do século XVII. O “Caminho
Novo” ou “Caminho do Pilar” aberto por Garcia
Rodrigues Paes, em 1704, reduzirá de 90 para 15 dias o tempo
gasto no percurso do proto do Rio de Janeiro até o interior
mineiro. No encontro dos rios Iguaçu, Meriti e Sarapuí
por onde escoavam a produção das Minas Gerais montou-se
as bases da ocupação inicial da região no período
colonial que eram formados por uma igreja matriz, sendo Nossa Senhora
do Pilar de Iguaçu, São João de Meriti, Nossa
Senhora de Marapicú, algumas das Freguesias mais
antigas da baixada /Quilombos: os labirin-tos da dominação
(na relação conflituosa
entre senhores de engenho e escravos surgem os primeiros quilombos
(o mais famoso o Quilombo do Gabriel)que se mantinham com o tráfico
de lenha e o pedágio cobrado aos viajantes e dos barqueiros.
Preconizando a figura do Barão-fazendeiro, retratada por
Maurício Lamberg, o senhor de engenho era uma espécie
de rei-sol em seu território. Longe dos piratas, corsários
e invasores estrangeiros que afligiam a cidade do Rio de Janeiro,
passaram a estabelecer seus engenhos e plantações
nos vales do Meriti, Sarapuí, Saracuruna, Jaguaré,
Pilar e nas zonas de Marapicu, Jacutinga, e do rio Ramos, a partir
de 1566. Tinham seus portos particulares de onde embarcavam sua
produção para abastecer o Rio de Janeiro e, além
disso, tinham terras suficientes para serem retalhadas e vendidas
para retardários. A topografia plana de várzeas e
vales era ideal para a lavoura de cana. A mata fornecia madeira
das construções e o combustível, mas sua devastação
favorecia o acúmulo de águas, ampliando os trechos
alagadiços. O escravo que derrubava a mata era o mesmo que
desobstruía os rios, construía canais e diques. Constituía,
portanto uma maioria subjugada, submetida a padrões de brutalidade
que faziam desaparecer os limites do humano, uma humanidade que
só fazia presente nos julgamentos pelos crimes cometidos
ou nas descrições dos jornais visando à captura
dos fugitivos, quando pela ruptura da lei o negro era incluído
na ordem social, tratado com nome e características pessoais,
mesmo que, para no final, ser torturado e morto.
Resistência (quilombolas)
Na região da Baixada Fluminense
ocorreu um intenso processo de resistência escrava, sobretudo
através da fuga e da formação de quilombos.
Os escravos fugidos comumente se refugiavam em quilombos, que eram
dificilmente capturados, devido os pântanos da região,
que no período das cheias quase se transformava num enorme
rio pelo transbordo das águas, favorecendo a fuga de possíveis
expedições repressoras. Os quilombolas costumavam
viver de um comércio de lenha que era utilizada para abastecer
a Corte. Como não poderiam comercializar pessoalmente, vendiam
a lenha para os taberneiros, que serviam como atravessadores. Estes
sempre quando possível advertiam os quilombolas com informações
de possíveis represálias, de forma que pudessem manter
seus interesses. Assim, constituía-se uma importante rede
de proteção que contribuía decisivamente na
resistência escrava que ocorreu na região. A economia
dos quilombolas baseava-se na caça e pesca, em produtos excedentes
da agricultura de subsistência e no extrativismo
4º Setor
Religiosidade como forma
de resistência
O candomblé é uma
forma de religiosidade essencialmente brasileira, na África
cada povo cultuava um orixá, quando chegaram ao Brasil os
negros(a)s escravizados foram separados estrategicamente para que
sua resistência fosse minada, como a religião é
das expressões máximas da cultura, os europeus proibiram
as manifestações religiosas do negro(a)s. Dessa proibição
surgiu a primeira semente do candomblé. Para burlar a proibição
o culto era feito as escondidas num mesmo lugar, o que acabou gerando
uma espécie de altar comum onde eram cultuados os diversos
orixás, de negro(a)s vindo de toda parte da África.
As irmandades foram o segundo passo para que o candomblé
se constituísse no que vemos hoje. Sendo a religião
africana uma religião fundamentalmente de transmissão
oral os ensinamentos eram passados oralmente uma das formas da religião
dos negros ter resistido tanto tempo as adversidades.
As primeiras casas de candomblé do RJ foram fundadas nos
bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo, onde moravam e trabalhavam
uma grande quantidade de negros.
Mãe Aninha de Xangô, Bamboxê e Oba Saniá
fundaram em 1886 no RJ uma casa no bairro da Saúde. Em 1925
Mãe Aninha inicia sua primeira filha de santo no Rio de Janeiro;
Conceição D’Omolu.
Nos anos quarenta novas casas foram abertas. Essas se localizavam
nos subúrbios. Rocha afirma que os candomblés eram
perseguidos nos centros urbanos pela polícia e “não
se podia cantar alto ou tocar atabaques”.
Com o falecimento de mãe Aninha, em 1938, sua sucessora Agripina
de Souza de Xangô, transfere o axé para Coelho da Rocha
“no município de SJM na Baixada Fluminense e incorpora
nele o nome Axé Opô Afonjá”.
Havia policiais que prendiam os instrumentos musicais utilizados
nos rituais de candomblé. As casas de santos eram obrigadas
a se inscreverem na delegacia de jogos e Costumes e tocar com hora
marcada. “Isso gerou um movimento de MÃES-DE-SANTO
que foram pedir ao então presidente Getúlio Vargas
a liberdade de culto”. Esta liberdade foi conquistada, contudo
a visão preconceituosa das autoridades policiais e da sociedade
civil permanece.
Esse não foi o caso do Aba Ylê Cruz do Divino o Axé
Opô Afonjá fundado por Mãezinha, localizado
na rua Letícia n.346 Éden-Gato Preto no município
de SJM que veio para o RJ na década de 1960, período
considerado como “época de ouro” do candomblé
na cidade. “Esse período é sempre
lembrado nas casas de tradições então instaladas
na cidade, com as roças estruturadas, muitas festas se tornaram
famosas”. As coisas mudaram, se inicialmente os candomblés
nasceram nos bairros centrais da cidade do RJ e eram freqüentados
por trabalhadores negros, na década de 50 e 60 os candomblés
ressurgiram na periferia e eram freqüentados por moradores
de bairros da classe média alta da cidade.
As casas de maior visibilidade nas décadas de 50 e 60 na
periferia eram o Bate-folha, em Anchieta (nação Congo),
o Axé Opô Afonjá em Coelho da Rocha (nação
Kêtu) e Joãozinho da Goméia – Caxias (nação
Angola) mais conhecido como “rei do candomblé”.
O mundo do santo é extremamente fechado, cercado por uma
hierarquia, onde os terreiros de candomblé são os
últimos lugares onde as regras do bom-tom reinam ainda soberanamente.
Pensando o candomblé brasileiro como espaço onde o
poder final é masculino, mas que chegaram aos nossos dias
através de vária Yalorixas (mães-de-santo)
tais como: Guaiakú, Mãe Senhora, Tia Ciata, Bibiana,
Menininha do Gantois, Olga de Alaketo, Maria Estela De Azevedo Santos(Odékaiodê),
Regina de Bomboxê, Yá Nitinha, Mãe Meninazinha,
e etc.
5º Setor
Vultos da Baixada
João Cândido
Felisberto (O Mestre-Sala dos Mares)
Filho de ex-escravo, muito rebelde
desde sua infância foi encaminhado a marinha que naquele tempo
era vista como uma instituição disciplinadora. Em
1895 João Cândido passou a integrar a Companhia do
Corpo de marinheiros Nacionais no Rio de Janeiro. Em pouco tempo
foi promovido a cabo, fato pouco comum entre os praças, mas
em seguida foi rebaixado por mau comportamento.
Para aprender a lidar com a nova embarcação que o
governo brasileiro havia adquirido muitos marinheiros entre eles
João Cândido fora enviados a Inglaterra.
Esta viagem foi marcante para ele, pois lhe possibilitou vivenciar
a avançada organização e tecnologia da Marinha
inglesa que em nada se parecia com a brasileira, além do
forte movimento sindical os marinheiros ingleses.
Os marinheiros passaram a questionar o conjunto de leis a que estavam
submetidos e que regulamentavam a disciplina na marinha, tais como:
submeter os praças a disciplina especial que forem de má
conduta habitual e punir com prisão a ferro na solitária,
a pão e água por três dias e 25 chibatadas.
João Cândido sempre exerceu influência sobre
a marujada e neste momento de insatisfação essa influência
ficava mais forte, o que foi notado pelo governo federal.
O então presidente Nilo Peçanha em 1910 convocou –o
para uma audiência com o objetivo de transforma-lo em aliado.
O encontro foi inútil, pois João Cândido não
se tornou um aliado do governo e este não suspendeu a chibata
como forma de punição as faltas graves.
A situação ficava cada dia mais insustentável,
os praças começaram a ameaçar os oficiais,
deixando claro o estado de desacordo: ”ninguém é
escravo de oficiais e chega de chibatado, Cuidado. Mão Negra”.
Os marinheiros insatisfeitos e com as experiências do organizado
sindicato inglês começaram a se unir.No dia 22 de novembro
as 22:00 horas João Cândido ordenou que se disparasse
um tiro de canhão como sinal de alerta aos navios revoltados,
e que os holofotes iluminassem o arsenal da Marinha, as fortalezas
e as praias do RJ.
A partir desse momento Ele deixou de ser um simples desconhecido
para se tornar a figura central do movimento, sendo apontado pelos
jornais da época como hábil e eficaz comandante do
levante, assim como símbolo da radicalidade do movimento
por conta das mortes. Além de sua destreza no comando das
manobras do navio.
No dia 11 de dezembro João cândido é preso no
cais e colocado em uma solitária com dezoito praças.
Ele se casou três vezes, teve quatro filhos e morreu em 6
de dezembro de 1961 aos 89 anos. Em 1975 Adir Blanc e João
Bosco compuseram a música mestre-sala dos Mares, homenageando
João Cândido.
No município de SJM no bairro da Praça da Bandeira,
onde hoje sua filha D. Zelândia recebe em sua casa estudantes,
imprensa, pesquisadores, além de ir a escola quando convidada
divulgando a memória do pai.
Joãozinho da Golméia
(Um vento de Fogo)
João Alves Torres Filho:
nascido em 27 de março de 1914, mulato, neto de negros africanos,
vindos das bandas de Angola, lá na África, através
de sua casa de candomblé, na produção de seu
espaço religioso e sua conseqüência nos quadros
mentais de seu tempo e sobre o cotidiano da cidade do RJ, sua personalidade
é vista como determinante para sua posição
de babalorixá e para entender o seu tempo envolvendo sua
relação com a sociedade e seu poder místico
exercido no universo de sua casa religiosa em Duque de Caxias no
bairro Leopoldina IV na Baixada Fluminense rua sem calçamento
e esgoto aparente, onde governou com poder religioso e político.
Ele governava sua casa religiosa com mão de ferro e transformou
seu barracão em um grande centro de festa religiosa, integrando
várias classes sociais. Ele tinha ligações
com artistas famosos de seu tempo, rádio, teatro e no campo
da literatura, tinha ligação com políticos
e gente influente da sociedade, e a abertura de sua casa aos brancos,
chegando a ter filhos de santo estrangeiros e tudo isso vai afetar
a imagem do “Povo do Candomblé”, principalmente
o imaginário dos leigos, expondo a luz uma religião,
até então mantida como uma manifestação
de gente inferior, pobre e negra...
Negra Lorença (Uma
forra de coragem)
Negra forra de belas curvas tinha
uma taberna no caminho para a Vila de Iguaçu, onde ali paravam
os viajantes para descansar e se divertirem com as prostitutas.Ela
costumava esconder os negros que fugiam dos maus tratos dos seus
senhores. Um fazendeiro português se apaixonou por ela e de
tanto ciúme matou a bela negra.
Políticas Públicas
e ações de grupos organizados da sociedade da Baixada
em busca da construção da identidade dos Negros.
Segundo Giovanni Murari é
possível identificar quatro posturas da igreja na história
do Brasil em relação ao povo negro. Primeira postura:
negação da humanidade do negro: negro não é
gente, segunda postura: aceita-se a humanidade, mas acentua-se a
diferença, terceira postura: a afirmação da
igualdade, embora não tenha sido desenvolvida nenhuma pratica
para essa afirmação, quarta postura: a necessidade
de compreender o negro: esta postura da igreja vai leva-la a buscar
compreender a situação do negro, inclusive o seu modo
religioso de ser e de se organizar.
É reconhecido que a Igreja Católica colaborou nesse
processo de discriminação, pois além de possuir
escravos, obrigaram os negros a receber o batismo, e não
havia praticamente padres e bispos negros. A igreja sofreu mudanças
incentivadas a partir dos concílios realizados na América
Latina nos anos 70.
Atuação política e Cultural da Pastoral Afro-Brasileira
no Cenário da Baixada Fluminense.
No final da década de 70 e meio de 80 vários movimentos
culturais, tais como: Pastoral do Negro, Movimento Negro Unificado,
Grupo de Mulheres, Partidos Políticos e demais Pastorais
Sociais, se manifestaram no cenário da baixada buscando uma
maior participação na vida política na sociedade
da Baixada Fluminense. A Pastoral Afro tem por objetivo colaborar
na construção de uma sociedade justa e solidária,
ajudar a igreja a apoiar, a criar iniciativas contra o racismo,
dialogo cultural, ecumênico e inter-religioso, com os valores
afros-descendentes e etc.
Com a campanha da Fraternidade “Ouvi o clamor deste povo-a
fraternidade e o negro”, de 1988 Pastoral do Negro assumiu
os seus trabalhos e engajou-se ainda mais nas lutas sociais. Esta
luta foi resultado da soma de esforço das Dioceses de Nova
Iguaçu, administrada por D. Adriano Hipólito, e a
de Duque de Caxias, administrada por D. Mauro Morelli. Elas foram
as pioneiras e principais animadoras de trabalhos sociais e culturais
a partir desta campanha.
A referência para as novas ações funcionava
em um espaço no interior da Matriz de SJM conhecido por “Quilombo”.
Este salão que surge na década de 80 da iniciativa
da província Franciscana da Imaculada Conceição
do Brasil é um espaço destinado a formação
da Comunidade negra, movimentos sociais e população
em geral transformando-se em um ponto de referência e um ponto
de resistência para a Comunidade Negra do Brasil.
O Dia 20 de Novembro foi escolhido pelo Movimento negro para ser
comemorado o Dia da Consciência Negra devido o dia da execução
De Zumbi em 1695, Líder do Quilombo de Palmares. É
necessário fortalecer e construir um trabalho em torno desta
data, valorizando a luta do povo negro. Neste processo de conscientização,
há uma preocupação com a formação
acadêmica de negros, por isso com ações organizadas
no Salão Quilombo em SJM, na praça Getúlio
Vargas, localizado na igreja da Matriz de SJ Batista, criou-se através
de experiências realizadas na Bahia, o curso de Pré-Vestibular
Para Negros e Carentes. Por intermédio de frei David Raimundo
dos Santos, negro que assumiu esse trabalho, estabeleceu um convenio
com a PUC de São Paulo e Rio de Janeiro, conseguindo algumas
bolsas de estudo, com o objetivo de inserir nas faculdades as camadas
da população mais carentes.
A Pastoral do Negro em SJM em fevereiro de 2001 ofereceu a aprendizagem
das línguas estrangeiras a militantes de baixa renda no Salão
Quilombo, motivado pelas experiências de viagens e frei Tatá
e pela constatação das poucas oportunidades que o
negro tem de estudar uma língua estrangeira de qualidade.
Missa Inculturada Afro
As missas inculturada e os casamentos
e batizados afros que vez ou outra eram solicitados foram atividades
realizadas com a Pastoral do Negro e celebradas pelo Frei Davi Raimundo.
Com a chegada de Frei Athaylton (frei Tatá) na Paróquia
do Negro em conjunto com o mesmo resolveu fazer a experiência
de realizar as missas mensalmente.
Na missa utiliza-se uma simbologia rica em vida e usam-se panos
coloridos, cantos animados que dizem respeito o povo negro, atabaque
e outros instrumentos de percussão, resgatando sua luta,
sua esperança e ressurreição em Jesus Cristo.
A missa trabalha com a realidade, tentando despertar o negro dentro
da igreja Católica e fora dela.
Movimentos de Resistência
Negra
# União dos Homens de Cor,
entidade formada por uma elite negra em âmbito federal e loca,
surge com o objetivo de organizar politicamente a comunidade negra
e prestar-lhe apoio jurídico.
# TEM – Teatro Experimental Negro surgido em 1944 com o objetivo
de organizar, dentro do espaço teatral brasileiro, uma elite
pensante negra, com possibilidade de produzir fundamentação
teórica e de atuar como grupo de pressão. Entre os
fundadores contavam-se intelectuais, artistas, ativistas negros
e profissionais liberais como Abdias do Nascimento, escritor, político,
artista plástico, par quem essa militância poderia
garantir o espaço desse grupo no cenário político-social,
Com esse propósito, o TEM passa a organizar cursos de alfabetização,
formação cultural e sociodrama, No teatro, eram encenadas
peças como o Imperador Jones, Calígula.
# Ojuobà-Axé - um grupo Afro-Cultural criado em 1983
com a perspectiva de ser um núcleo de resistência da
cultura negra, após ter sofrido mudança de Vilar dos
Teles para Duque de Caxias, começa a empreender sua meta,
que era “o resgate histórico do negro na formação
da sociedade Brasileira e o combate sistemático a toda e
qualquer forma de racismo”.Os frutos desse trabalho resultaram
numa banda de samba e afro-reagge formada apenas por mulheres, a
Oya Matamba, e o bloco carnavalesco Ojuobá-Axé. A
maneira de mostrar o trabalho das festas locais: Concurso de Beleza
Negra, Diamante Negro, O Mundo Artístico Negro, Semana Nacional
da Consciência Negra, carnaval e em diversos eventos da comunidade.
#Odara - Centro de referencia em Educação, Cultura
e Cidadania.
No ano de 2005, após longo processo de reflexão, cria-se
o ODARA. ONG que foi pensada desde o início de 2003 por um
grupo de militantes de movimentos sociais de SJM. Estas pessoas
preocupadas com a construção da identidade e cidadania
da comunidade carente especialmente os afro-descendente fomentam
a idéia e inauguram a ONG que inicia com a agenda intensa
de muitas atividades.
#Amalyra – Tradição e Modernidade
Amalyra (Associação Martiliano Manoel Lyra –
Ilê Áxè Ala Karo Wo), é uma instituição
que nasceu em Casa de Candomblé ( religião de matriz
africana) com a finalidade de difundir o conhecimento da história
e da cultura africana e de sua influencia na historia econômica,
política e cultural do Brasil. Promover e preservar as manifestações
da arte e da cultura afro-brasileira, através do resgate
da riqueza histórica que nos foi legada e transmitida pelos
povos de origem africana e pela arte e cultura negra e seus valores
em seu processo de educação.
Percebe-se que através da
luta, das reivindicações, o povo negro quer lutar
para garantir a sua cidadania. O povo negro precisa reunir-se, organizar-se
para lutar pelos seus direitos mostrando para a sociedade que nós
somos iguais.
Para atingir a verdadeira cidadania e conseguir seus objetivos o
negro tem que ocupar lugares de decisões onde possam fazer
ouvir suas reivindicações, pois há muitos obstáculos
para se ultrapassado, mas eles organizados continuam clamando por
liberdade, e estão no caminho correto, através da
religião, da cultura, da educação, da política.
É necessário ampliar as reflexões, os debates,
os questionamentos, os estudos para que possam crescer economicamente,
e com isso tenham condição de investir em bens culturais,
valorizando assim as características e riquezas de sua raça.
G.R.E.S. INDEPENDENTE DA PRAÇA DA BANDEIRA
SEDE: RUA CLEMENTE PEREIRA LEANDRO, 25 - PRAÇA
DA BANDEIRA - SÃO JOÃO DE MERITI
FUNDAÇÃO: 02/03/2002
Tel.: 021(xx)3757-9033 / 021(xx)8817-5775
/ 8612-4821
CORES: BRANCO, VERDE e AZUL
ENREDO: ECOA UM GRITO DE LIBERDADE NOS QUILOMBOS DA BAIXADA
PRESIDENTE: FRANCISCO PEREIRA
DE MELO
CARNAVALESCO: RICARDO PAULINO e ROBSON RONY
BARRACÃO: RUA CARAMURU, 40 - PRAÇA
DA BANDEIRA, S.J.M.
DIRETOR DE CARNAVAL: RICARDO PAULINO
AUTOR DO ENREDO: RICARDO PAULINO E ROBSON RONY
AUTOR DO SAMBA ENREDO: Marcos Machado, China do
Vale,Gilson Novaes,J.B., Toinzinho,Joãozinho do Vilar,Chiquinho
do Bar,Everton Já é, Samuka e Renê Siqueira
INTÉRPRETE DO SAMBA: LELEU
FIGURINISTA: JUNIOR BARATA
DIRETOR DE BARRACÃO: EDGARD
FERREIRA
DIRETOR DE HARMONIA: ZECA HARMONIA
DIRETOR DE BATERIA: MESTRE GELEIA
RESP. ALA DAS BAIANAS: TIA CLELIA
RESP. ALA DAS CRIANÇAS: CRISTIANE
DE SOUZA
RESP. GALERIA VELHA GUARDA: WILSON NASCIMENTO
RESP. COMISSÃO DE FRENTE: ADRIANA RODRIGUES
PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
Mestre Sala: MARCIO BATATA
Porta Bandeira: CRISTIANE CAMARGO
Nome da Fantasia: RESPLENDOR DE UMA RAÇA
SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
Nome do Mestre Sala: JUNIOR
Nome da Porta Bandeira: EVELYN
Nome da Fantasia:LEI ÁUREA
TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
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