HISTÓRIA DO G.R.E.S. BOI DA ILHA DO GOVERNADOR

O Boi da Ilha do Governador foi fundado como bloco (então denominado Boi da Freguesia) em janeiro de 1965. Durante anos foi uma das mais tradicionais concorrentes aos títulos da Riotur. Seguindo o passo de vários blocos , em 1988, afiliou-se à Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. De lá para cá, oscilou entre os grupos B e D. No carnaval de 2000, obteve o quarto lugar no Grupo B e, com isso, conquistou o direito de desfilar  no Grupo A em 2001.

FICHA TECNICA

CARNAVAL 2007 - SINOPSE DO ENREDO

" ALÔ, ALÔ, SE LIGA, TEM BOI NA LINHA "

JUSTIFICATIVA DO ENREDO

Desde a pré-história o homem evolui de forma vertiginosa. A comunicação se fez presente e necessária a esta evolução. No início jamais se imaginou que poderia ser criado um dos inventos mais preciosos e úteis da humanidade: o telefone. Esta evolução natural implicou no abandono de métodos artesanais para dar lugar a uma tecnologia que se aprimora há mais de um século.
Além de servir para simples diversão das pessoas que o utilizam para conversar, ele é útil para que se possam alcançar outras facilidades e benefícios da vida moderna, tendo acesso a serviços de todo tipo.
A contribuição do telefone se mostra maior quando o mesmo se faz presente no imaginário dos artistas e se presta como inspiração para a música em vários estilos.
A proposta da Escola se apresenta em buscar na origem da civilização elementos que justifiquem a criação e a funcionalidade deste aparelho que vai além do modismo, mostrando com bom humor que o telefone é de fato parte integrante de nossas vidas.

SINOPSE DO ENREDO

Alô! Se liga! O Boi da Ilha vem falar deste meio de comunicação que une as pessoas distantes; que traz conforto a saudade; que faz tudo ficar próximo.
O Boi da Ilha e sua irreverência pede passagem e quer brincar com esse meio de comunicação. Com alegria constante, a leveza e a sutileza para falar do telefone.
Começando lá nos primórdios, o homem das cavernas sentindo necessidade de se comunicar, descobriu que, gritando poderia ser ouvido à longa distância. Porém este mesmo homem, ser pensante e criativo, desenvolveu outros métodos de comunicação.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas ainda faltava alguma coisa. Algo mais eficiente. E, vieram os índios com seus tambores e sinais de fumaça... E, lá, ao longe, outros índios entendiam os seus sinais.
O tempo passou, a transformação do mundo tornava o progresso uma coisa atual. Não dava mais para pensar em fumaças e tambores para uma comunicação ideal. Mas o que era a comunicação ideal? Ou melhor, como seria esta comunicação ideal?
O escocês Alexander Grahan Bell e seu assistente Thomas Watson, faziam experimentos com um objetivo: emitir notas musicais através da eletricidade. Bell acreditava que transmitindo notas musicais conseguiria transmitir a voz das pessoas. Acidentalmente, Bell e Watson conseguem a transmissão da primeira frase por telefone: (“Mr. Watson come here, I need you” - Sr. Watson, venha aqui. Eu preciso de você!). E a partir daí, se liga, surge o telefone.
Neste mesmo ano, o nosso Imperador Dom Pedro II, visitando uma exposição em Filadélfia, exclama diante do telefone de Grahan Bell: “Meu Deus, isso fala!”.
Meses depois, é instalado no Rio de Janeiro o primeiro telefone do país.
Tudo que é novidade causa espanto e, às vezes, desconfiança, o telefone, como não podia deixar de ser, deixou as pessoas com uma “pulga atrás da orelha”.
Em terras tupiniquins tudo vira gozação, piada, brincadeira. É esta irreverência que o Boi da Ilha quer mostrar.
Dom Pedro II instalou o telefone. O povo se perguntava estarrecido: “Com quem o Imperador fala ao telefone, se só existe o seu?”. Provavelmente, esta mensagem chegara aos nobres ouvidos e,
para não ser chamado de louco, autorizou o funcionamento da primeira empresa de telefonia do Brasil.
No ano seguinte, foi comemorado, pela primeira vez, o Dia da Telefonista, em 29 de junho, dia de São Pedro. Isso porque São Pedro detinha as chaves do céu e elas, as telefonistas, detinham a chave da comunicação.
Com a popularidade do aparelho, em 1917, foi gravado o primeiro samba: “Pelo telefone”. Este samba provocou muitas polêmicas entre os freqüentadores dos pagodes na casa de Tia Ciata. Quem registrou este samba, como se fosse de sua autoria foi Donga.
Mas nem todo mundo tinha condições de ter um telefone em casa. Telefone era luxo, privilégio de uns poucos. Por isso foi criado o telefone público. Primeiro usando moedas. Depois, fichas.
A malandragem, que não perde tempo, tratou de dar um jeito de economizar as suas fichas e, com o “jeitinho brasileiro”, amarrava as fichas em uma linha e as prendia ao dedo. À medida que elas caíam, o esperto tratava de puxá-las de volta e as usavam novamente.
Em qualquer bar, qualquer farmácia ou mercearia tinha um telefone público, porém nas ruas, nada!
Nos anos 70, uma chinesinha, naturalizada brasileira e conhecida arquiteta paulista criou o projeto do “orelhão”.
Mas antes, de ganhar o famoso apelido, ele foi chamado de “Chu 2” (devido ao nome da inventora, Chu Ming Silveira), de “tulipa”, “capacete de astronauta” e, finalmente, de orelhão.
O orelhão foi um sucesso internacional. A arquiteta que o criou, partiu da forma acústica mais perfeita – o ovo – que foi ao mesmo tempo, a mais econômica.
A música popular se rendeu à invenção do telefone e muitas canções foram criadas em torno desde título:
“Alô... alô? Responde, responde com toda sinceridade...”
“Telefone ao menos uma vez para 344333”.
O Boi da Ilha, irreverente e gozador, lembra o grande animador de auditório popular, Chacrinha, que dizia:
“Alô, alô, Terezinha!” e “Quem não se comunica se trumbica”.
Todas as vertentes da MPB tiraram a sua fatia do invento:
A música sertaneja fez muito sucesso com a melosa “Pense em mim/ chore por mim/ liga pra mim/ mas não liga pra ele...”
Elis Regina gravou de autoria de Rita Lee e Roberto de Carvalho, “Alô, alô, marciano”;
Gabriel, o pensador, em seu famoso Rap, brincou: “2345 meia 78, tá na hora de molhar o biscoito”;
Os Paralamas do Sucesso pedia encarecidamente: “Me liga...”;
A turma do pagode dizia: “Se você sentir saudade, liga pro meu celular...”;
O funk não podia ficar de fora e lançou: “Trim trim trim, alguém ligou pra mim?”.
A telefonia se desenvolvia rapidamente. A década de 90 chega trazendo novidades para o Rio de Janeiro. Foi a primeira cidade brasileira a usar a telefonia móvel celular. Depois foi instalado o primeiro telefone público a cartão, por ocasião da ECO-92 e, por isso, os primeiros cartões tiveram motivos ecológicos. A arara azul foi a primeira ave a ser retratada nos cartões telefônicos.
Hoje, a tecnologia a serviço da informação, nos gabarita a acompanhar os tempos modernos. Em 1995, é implantada a Internet comercial no Brasil.
A comunidade do Boi da Ilha “tá ligada” na tecnologia de ponta. O Boi se liga nos aparelhos que salvam vidas, naqueles que são utilizados pela mundana vida de quem ganha a vida, nos serviços, nas informações, no despertar de um novo dia.
A Escola alegre e irreverente não quer tratar de um tema como o telefone, de forma austera. A idéia é mostrar o lado irônico, satírico e gozador. Falar sobre linha cruzada, linha cortada escuta telefônica. Mostrar como o telefone chegou ao Brasil. A Escola critica e se diverte com todas as formas e intenções que o telefone é usado: denunciar, fofocar, aterrorizar, fazer amigos...
Atualmente, o telefone deixou de ser apenas um objeto de necessidade para se transformar e ganhar status de melhor amigo. É aquele companheiro inseparável, indispensável, sempre presente que não se desgruda por nada; está sempre à mão para afogar as mágoas, contar as alegrias, medos, deixar recados, etc...
Telefonar é se aproximar, fotografar, mandar mensagens...
O Boi da Ilha sabe que o tempo não pára e que, aqueles velhos sinais de fumaça e tambores não passam hoje, de memórias de um tempo distante. Hoje, o índio não quer apito. Quer celular. E sem o telefone, a vida não tem sentido. Percebendo isto, sem perder a oportunidade de brincar, a Escola anuncia, em altos brados: “Alô... Alô? Se liga, tem Boi na linha”.
Paulo Cavalcanti


                                      G.R.E.S. BOI DA ILHA DO GOVERNADOR

FICHA TECNICA


SEDE:   RUA PIO DUTRA, 279 - FREGUESIA - ILHA DO GOVERNADOR

FUNDAÇÃO: 15/01/1965

Tel.: 021(xx)3902-0747 / 21 82499785

CORES: VERMELHO PRETO E BRANCO

ENREDO: ALÔ, ALÔ, SE LIGA, TEM BOI NA LINHA

PRESIDENTE: Eloy Eharaldt

CARNAVALESCO: PAULO CAVALCATI

BARRACÃO:  AVENIDA BRASIL, 1818 - CAJU

DIRETOR DE CARNAVAL: Eloy Eharaldt

AUTOR DO ENREDO:  PAULO CAVALCANTI

AUTOR DO SAMBA ENREDO: ALOÍSIO VILLAR, BARBIERI, CADINHO DA ILHA, MARQUINHUS DO BANJO E WALKIR

INTÉRPRETE DO SAMBA: “CADINHO DA ILHA” ( RICARDO DE CARVALHO)

VEJA A LETRA DO SAMBA ENREDO

FIGURINISTA:  PAULO CAVALCANTI

DIRETOR DE BARRACÃO: Eloy Eharaldt

DIRETOR DE HARMONIA: “CADU” (CARLOS EDUARDO ZUGLIANI DE SÁ)

DIRETOR DE BATERIA: “MESTRE RABICÓ”

RESP. ALA DAS BAIANAS: TIA BENÉ

RESP. ALA DAS CRIANÇAS: TIA ZÉLIA

RESP. GALERIA VELHA GUARDA: ROBERTO PEREIRA GOMES

RESP. COMISSÃO DE FRENTE: -JÚLIO NASCIMENTO

PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:

Mestre Sala: JEAN LUIZ DOS SANTOS

Porta Bandeira: FERNANDA LOVE

Nome da Fantasia: “ BELL E MING”

SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:

Mestre Sala: ROGÉRIO LUIZ DOS SANTOS JUNIOR

Porta Bandeira: NATÁLIA CRISTINA DE OLIVEIRA MONTEIRO

Nome da Fantasia: “LIGUE JÁ”

TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:

 
Símbolo: