O Grêmio
Recreativo Escola de Samba Em Cima da Hora foi fundado em
15 de novembro de 1960. A origem de seu nome vem de um bloco
do Catumbi, bairro na Zona Norte do Rio, onde moraram dois
dos fundadores da escola, Baianinho e Leleco. Este último,
inclusive, emprestou seu nome ao bloco carnavalesco de cores
verde e branco, o Bloco do Leleco, que mais tarde se transformaria
na renomada escola de samba do subúrbio de Cavalcanti,
de cores azul-pavão e branco. .
Além dos dois rapazes
supra-citados, Eládio Gomes dos Santos, o Baianinho,
e Aroldo Diniz Gonçalves, o Leleco, colaboraram para
a fundação da Em Cima da Hora Jovino da Silva,
Ibiraci de Oliveira, o Bira (diretor de Bateria), Normi de
Freitas, que ocupou a presidência, e Manezinho, integrante
da diretoria. Natalino José do Nascimento, o inesquecível
Natal da Portela, apoiou a criação da escola,
que foi batizada pela azul-e-branco de Oswaldo Cruz e Madureira.
Outros personagens de grande
relevância para a evolução da escola foram
João Severino, sambista que também presidiu
a Em Cima da Hora, e Cardosinho, que dirigiu a Ala dos Elegantes
e a Velha Guarda.
A agremiação
cresceu, conquistou prêmios, como os cinco títulos
nos grupos de acesso e os cinco Estandartes de Ouro concedidos
pelo jornal O Globo, e inúmeros admiradores como o
carnavalesco Fernando Pamplona, o jornalista Sérgio
Cabral – ele declarou, na revista Veja Rio, em 26 de
janeiro de 1994, seu amor pela Em Cima da Hora –, que
foi o enredo da escola em 1997, e o senador Sérgio
Cabral Filho. O famoso dançarino Carlinhos de Jesus,
cuja infância viveu em Cavalcanti e dentro da quadra
da Em Cima da Hora, foi passista da escola – Estandarte
de Ouro de Melhor Passista Masculino – e homenageado
pela mesma, em 1995, com o enredo “No reflexo do Espelho
a Arte de Dançar pela Escola de Samba Em Cima da Hora”.
No mundo do samba e na mídia,
a escola ainda ganhou respeito pela realização
de verdadeiras obras-primas como “Os Sertões”,
composta por Edeor de Paula, e “33 Destino Pedro II”,
de Guará e Jorginho das Rosas. Outra pérola
de reconhecimento é o samba-enredo “O Saber Poético
da Literatura de Cordel”, de Baianinho.
A época áurea
da agremiação se deu no início da década
de 70, quando desfilou algumas vezes no Grupo 1, o principal
daqueles anos. No entanto, apesar de apresentar-se em 1976
com um dos melhores sambas-enredos de todos os tempos, “Os
Sertões”, a escola ficou com a penúltima
colocação e não conseguiu se manter no
grupo das melhores agremiações.
Com a criação
da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
(Liesa), em 1985, a escola afastou-se cada vez mais do Grupo
Especial, dado o processo de elitização que
o Carnaval Carioca com o passar dos anos sofreu. O espetáculo
ganhou dimensões de aspiração mundial
e os desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial transformaram-se
em um show para turista ver.
Mas, felizmente, o Carnaval
do Rio de Janeiro não se dá apenas na Marquês
de Sapucaí. Os blocos carnavalescos voltaram a ocupar
as ruas da cidade e as escolas dos grupos de acesso C, D e
E fazem a festa para o povo na Estrada Intendente Magalhães,
em Campinho, na Zona Oeste da cidade. A mídia contribui
com uma acanhada divulgação sobre o trabalho
dessas agremiações.
Mas a Em Cima da Hora tem
algo muito mais importante que espaços na TV e nos
jornais. Ela conta com o empenho de pessoas que gostam, admiram
e respeitam sua história e seu pavilhão. Gente
que sabe que é preciso muito trabalho e dedicação
para arrancar aplausos e sorrisos do público. Pessoas
que se identificam com a arte de fazer Carnaval e que compreendem
o quão importante é a Festa de Momo, sobretudo
para o carioca. Então, vista o manto azul-e-branco
e junte-se a nós!
Por Cássia Valadão
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