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HISTÓRIA DO G.R.E.S.
DELÍRIO DA ZONA OESTE
A Delírio da Zona Oeste foi fundada em 9 de março de 1997 por Francisco Cezar Mariano. O sonho de criar uma escola ganhou força e a sede foi construída em 1999, na Avenida Dom Sebastião I, na Vila São João. Mesmo tão nova, a Delírio da Zona Oeste já tem 500 componentes e conta com uma madrinha de peso, a Beija-Flor. Para o diretor de eventos da escola de Nilópolis, o mérito é mesmo da comunidade. Os moradores de Campo Grande estão em festa desde que a escola passou em primeiro lugar na avaliação da AESCRJ no carnaval de 1999. A vitória é da comunidade que, através de festas, bingos, ensaios e doações do comércio conseguiu arrecadar recursos suficientes para mostrar ao júri o melhor em carros alegóricos e fantasias. Naldinéia Barcellos é uma das fundadoras e integrante da comissão de carnaval da escola, juntamente! com Fátima Cristina Correia. |
FICHA TECNICA
CARNAVAL 2008 - SINOPSE DO ENREDO
"YEYE OMON EJÁ E A FÉ
QUE DESÁGUA NO MAR"
“...Aiocá é o reino
das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras
natais da África, saudades dos dias livres na floresta.”
(Jorge Amado,1956;137)
PRESIDENTE
FRANCISCO MARIANO
VICE-PRESIDENTE
REGINA PASSAES
DIRETOR DE CARNAVAL
TONHO DUARTE
DIRETORES DE BARRACÃO
ANTÔNIO LEONARDO
CAROLINA DORNELLES
DIRETORES DE ATELIÊ
CLÁUDIO
GALILEU SANTOS
DESENVOLVIMENTO
COMISSÃO DE CARNAVAL
REVISÃO DE TEXTO
JACQUELINE LUPPO
JUSTIFICATIVA
Existem correntes absolutamente contrárias
à associação entre Yemanjá e Nossa Senhora
– esta questão tem sido bastante discutida entre várias
concepções no âmbito do Candomblé. O sincretismo
vem de uma época em que havia a necessidade de os escravos protegerem
o culto a seus deuses da perseguição católica; entretanto
a sua manutenção até os dias correntes deve-se a
uma série de outros fatores, dentre eles, a idéia de que
o sincretismo, de certa maneira, absolve a consciência daqueles
que são seguidores de outras religiões, mas freqüentam
os terreiros de magia. Por outro lado, para o próprio Candomblé,
o sincretismo viabiliza a conquista de novos fiéis, que encontram
aí um ponto de identificação entre os conceitos cristãos
adquiridos ao longo da vida e a fascinante religiosidade africana.
O Candomblé, corretamente entendido, não é um tipo
de expressão ou manifestação folclórica, mas,
sim, uma religião, cujas raízes estão arraigadas
desde tempos mais remotos, em terras muito distantes, transmitida de geração
a geração através da oralidade; não participando
deste processo o típico maniqueísmo de outras organizações
religiosas, como a Igreja Católica. Nos cultos africanos, inexistem
os tradicionais conflitos entre o bem e o mal, o certo e o errado e, principalmente,
as noções de pecado e de condenação eterna,
intimamente associados aos conceitos judaico-cristãos.
Nesse processo de sincretismo, a própria imagem de Yemanjá,
deusa da mitologia africana, passou por um tipo de aculturação
obrigatória e necessária, pois em África, a deusa
é representada habitualmente pela escultura em madeira de uma mulher
obesa, cujos volumosos seios são apoiados pelas próprias
mãos; simbolizando a grande mãe que amamenta e cria seus
filhos com generosidade. O sincretismo entre Yemanjá e as diversas
imagens de Nossa Senhora fez surgir uma figura cuja aparência assume
padrões estéticos de cunho eurocêntrico – uma
mulher alva, de formas delicadas, cabelos lisos e longos, cujo semblante
parece evocar uma santidade distante das preocupações terrenas.
A distorção gradativa levou também ao aparecimento
de outros seres mitológicos, como as sedutoras sereias –
inspiração da cultura greco-romana – , ou mulheres
indígenas sensuais – graças à influência
da cultura tupi-guarani.
Yemanjá, com todas as suas formas, representações
e simbologias, tornou-se a mais tropical de todas as deusas africanas,
devido à capacidade de seu culto integrar as mais diferentes camadas
sociais em torno da fé. Suas festividades não possuem precedentes
na história religiosa ocidental quanto à popularidade. É
um fenômeno cultural que somente um universo miscigenado como o
Brasil, poderia suportar e fazer fluir nas mais variadas concepções.
Entretanto, em todas as suas representações, Yemanjá
na verdade é o mito que relaciona a maternidade à proteção
e às águas.
As festas em homenagem à Rainha do Mar, como todas as festas baianas,
tornaram-se um grande acontecimento turístico-cultural, onde a
religiosidade se confunde com alegria e prazer; os atabaques misturam-se
com a música dos trio-elétricos; os orixás envolvem-se
com os foliões e os fiéis deixam-se levar pelos tambores
do Axé. Uma mistura de sagrado e profano, de realidade e misticismo,
de pedidos e agradecimentos. E muito mais que isso, seu culto tornou-se
um tipo de “ritual de passagem”, um elo entre o desejo e a
realização, entre o passado e o futuro, o material e o espiritual.
Muitos participantes de suas festas sequer possuem uma imagem pré-definida
da deusa, mas nem por isso, deixam de prestar-lhe homenagens, como se
isso fizesse parte das regras para que se tenha uma vida melhor.
Os deuses africanos jamais reconheceram o sentido do profano. Sua intimidade
com os homens sempre foi tão latente que, ao longo da História,
reis viraram deuses e deuses sempre foram humanizados. Toda a religiosidade
africana, até mesmo nos rituais fúnebres, sempre esteve
envolta por batuques e cantigas, de forma festiva e espontânea.
Não haveria de ser a Festa de Yemanjá, em pleno país
do carnaval, que se afastaria de suas raízes festivas para se espelhar
do “melancolismo” sagrado do Cristianismo. Por isso as “procissões”
que conduzem os presentes, destinados à Yemanjá, para o
oceano, seja na Bahia, no Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar do
Brasil, têm adquirido cada vez mais características tão
populares, coloridas e divertidas: porque, para o africano, a vida é
sempre uma grande comemoração, e cultuar seus deuses é
uma eterna celebração.
Sendo assim, neste clima de festa e sincretismo, o GRÊMIO RECREATIVO
ESCOLA DE SAMBA DELÍRIO DA ZONA OESTE traz para a avenida das ilusões,
uma homenagem à mitologia africana, representada pela mais popular
de suas deusas e pela fé miscigenada, misturada e diversificada
de seus seguidores, transformando a “procissão” em
desfile carnavalesco, ou carnavalizando o cortejo de Yemanjá, não
esquecendo jamais, que o desfile de uma escola de samba nada mais é
que um verdadeiro cortejo religioso. Seria irrelevante qualquer tentativa
de definir o mito, ou descrever suas lendas e origens. Isso não
é importante quando a simbologia se faz muito maior que qualquer
explicação, e torna-se incomensurável. Nosso compromisso
não será com a História, mas com o sentimento de
celebração, de comemoração, pois para nós,
no Carnaval nada é pecado... e tudo é sagrado!
Comissão de Carnaval
(alunos do Instituto do Carnaval da Universidade Estácio de Sá)
SINOPSE
Na trajetória do tumbeiro, a caravela
dos pavores, surgiu uma odisséia de bravura que selou o destino
de quem lutou para vencer o inferno sobre as ondas do mar. O amordaçado
negro yorubá, arrancado de suas terras e lançado ao violento
bailado do oceano, com o sentimento acorrentado a ferros, poderia perder
até mesmo a vida, mas jamais a fé em seus deuses. Nem mesmo
o banzo seria capaz de ferir-lhe o sagrado e, nesse elo dourado com o
divino, trouxe da África a devoção e a confiança.
Emboscado, aprisionado e vendido como cativo por traficantes, ocorria-lhe
na alma agarrar-se à mãe de todas as mães, àquela
que jamais faltaria a um filho e que, de modo algum, permitiria que sua
vida naufragasse no abismo do tenebroso mar. Yeye Omon Ejá!
Da mitologia africana, arrastada pelos porões do desespero, desembarcou
em terras de palmeiras e dendezeiros, aquela mãe yorubana, cujos
filhos são peixes; exuberante na fé do escravizado.
Do medo da perseguição, pelos portões das senzalas
e por trás de cortinas de chita, escondeu o negro sua fé.
Mas a deusa mãe precisava ser venerada – e então disfarçada.
Firmados foram os votos de fé dos escravos ao manto azul da Virgem
Santíssima, mas dedicados, em verdade, à Rainha dos Mares.
Yeye Omon Ejá se transformou em Yemanjá... E entre os toques
de atabaques, danças e cantigas, fumaça de folhas queimadas,
o culto tomou forma, cresceu e espalhou-se. Vários nomes foram
invocados: Yassabá, Yauntò, Yassessu, Yatogun, Yaogunté...
Todas as Yás eram ela, ao mesmo tempo, em apenas uma mulher, mãe
e deusa.
O amor materno derramou-se e escorreu pelas tortuosas estradas da crendice,
alcançando o coração do estranho homem branco, tocando-lhe
a alma e fazendo-se divina. Sua tez clareou como o dia, e de cabelos longos
ao vento, vestido azul cintilante, a mãe tornou-se o espelho d’água
onde se refletiu a imagem da Santa Maria Mãe de Deus. “Rogai
por nós pecadores!” Era Maria das Graças e das Dores,
da Conceição, dos Navegantes e também dos amores;
doravante, era todas as Marias em apenas um semblante. De suas mãos
caem pétalas, de suas mãos caem pérolas.
Yemanjá, Rainha do Mar, também virou mulher-peixe e foi
em um rio cantar. Como se já não bastasse tantos nomes,
alguém ainda a chamou Janaína, mas também Iara, e
Inaê. Linda sereia, pele morena que a luz da lua enfeita, beleza
sem igual deitada na areia.
Desde então, espalhada pela multidão nas suas mais variadas
formas de representação, aparece nos sonhos dos mais simples
pescadores, aos ventos do oceano, acompanhando pelos mares os bravos jangadeiros,
as jangadas e os saveiros. Acalenta ainda os amores perdidos no mar. Ampara
as mães na hora da morte, mas também no fascinante momento
de dar à luz um ser, diante das preces em louvor aos seus encantos.
Acolhe as virgens com suas cartas de amor exalando rosas, harmoniza e
perpetua os sagrados laços do matrimônio. Sempre estende
suas mãos, sejam negras ou brancas, sobre a cabeça dos jovens
aprendizes, em nome da educação e da sabedoria, e habita
o coração dos filhos pródigos, saudosos de suas mães,
onde para sempre faz moradia.
Nessa associação entre a religiosidade e as tradições
populares, de natureza folclórica ou mística, nas festas
de santos e padroeiras, o ponto mais deslumbrante é justamente
aquele em que o lúdico se torna real no coração de
quem tem fé. E não importa fé em quê e nem
como se deve tê-la, mas simplesmente crer. Com o passar dos tempos,
e dos ventos, Yemanjá assumiu tantas formas diferentes e passou
a representar tantos simbolismos, que conseguiu unir em torno de si as
mais variadas crenças, as mais variadas formas de fé, e
os mais diversos tipos de homenagens. E é neste momento que o Navio
Negreiro que arrastou o mito pelas águas da desventura, cede espaço
para o Barco das Oferendas, no vasto oceano da fé, em um préstito
de caboclas e sereias, golfinhos e baleias.
Seja nos terreiros de Umbanda e Candomblé, seja nas areias da praia,
de janeiro a dezembro, do Rio Vermelho em Salvador à praia de Copacabana,
de mãe-preta a mulher-peixe; Yemanjá é a mais brasileira
de todas as africanas, a mais maravilhosa de todas as baianas, senhora
dos corações aflitos e esperançosos, homenageada
e presenteada de todas as formas: nos barquinhos e balaios, flores e perfumes,
doces e frutas, velas e fitas, espelhos e pentes, no batuque dos ogãs,
nas pernadas da capoeira, ao som dos Filhos de Gandhi, no cheiro dos defumadores,
no gingado dos afoxés, no penacho dos caboclos e cachimbo dos pretos-velhos,
nos manjares dos erês, no pulinho sobre sete ondas, no estourar
do champanhe – por um mundo melhor, cheio de paz, amor, sucesso,
prosperidade e proteção. Porque na verdade o que importa
mesmo não é o mito, mas a fé que se tem nele!
Salve a fé que deságua no mar! Salve os devotos de Yemanjá!
Enredo: Arthur Reiy
Desenvolvimento: Comissão de Carnaval (alunos do Instituto do Carnaval
da Universidade Estácio de Sá)
Revisão de texto: Jacqueline Luppo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, Carlos. ABC dos orixás,1993.Editora
Nórdica Ltda.
BARCELLOS, Mário César. Os Orixás e o segredo da
Vida: Lógica, Mitologia e Ecologia. Pallas. 4ª ed., 2002.
BENISTE, José. As águas de Oxalá. Bertrand Brasil.
1ª ed., 2002.
BIRMAN, Patrícia. O que é Umbanda. Coleção
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DELLAMONICA, J. O mundo encantado dos orixás. Madras livraria e
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MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. CULTO AOS ORIXAS: Voduns e Ancestrais
nas Religiões Afro-Brasileiras. Pallas. 1ª Ed. 2004.
MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Candomblé: Religião
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RIBEIRO, José. Comidas de Santo e Oferendas. Eco. 1ª ed.,
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SALES, Nívio Ramos. BUZIOS - A Fala dos Orixás. Pallas.
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VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas Africanas dos Orixás. Corrupio.
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VERGER, Pierre Fatumbi. ORIXÁS: Deuses iorubas na África
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OUTRAS FONTES DE PESQUISA
http://www.iemanja.cjb.net/
http://www.cbhsaofrancisco.org.br/download/panfleto%20festa%20de%20Iemanj%E1.pdf
http://www.pelotas.com.br/festaiemanja/
http://www.visiteabahia.com.br/visite/salvador/cultural/festaspopulares/iindex.php?id=20
http://www.festadeiemanjamercadao.com.br/
http://marieclaire.globo.com/edic/ed105/rep_salvador1.htm
http://www.brazilonboard.com/ssa/3606.asp
G.R.E.S. DELÍRIO DA ZONA OESTE
SEDE: RUA CAMPO GRANDE, Nº 8 – CAMPO GRANDE
– RIO DE JANEIRO/RJ
Tel.:
CORES: AZUL E BRANCO
ENREDO: YEYE OMON EJÁ E A FÉ
QUE DESÁGUA NO MAR
PRESIDENTE: FRANCISCO MARIANO
CARNAVALESCO: COMISSÃO DE CARNAVAL
(ALUNOS DO INSTITUTO DO CARNAVAL)
BARRACÃO:
DIRETOR DE CARNAVAL: TONHO DUARTE
AUTOR DO ENREDO: ARTHUR REIY
AUTOR DO SAMBA ENREDO: GILMAR NOGUEIRA,
IGOR MARINHO, JORGE MADRUGADA E PEDRINHO CASSA
INTÉRPRETE DO SAMBA: NASCIMENTO
FIGURINISTA: ANTONIO LEONARDO
DIRETOR DE BARRACÃO: CAROLINA
DORNELLES
DIRETOR DE HARMONIA: JORGE CARNEIRO
DIRETOR DE BATERIA: MESTRE RODRIGO CHOCOLATE
PRESID ALA COMPOSITORES: GILMAR NOGUEIRA
RESP. ALA DAS BAIANAS: DAIANA
RESP. ALA DAS CRIANÇAS: ELZA MARIA
SAMPAIO
RESP. GALERIA VELHA GUARDA: CRISTINA
RESP. COMISSÃO DE FRENTE: PAULO
ALCÂNTARA
PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
DIEGO E SUELEN
SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
EWERTON E CÁSSIA MARIA
TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
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