CARNAVAL 2008

HISTÓRIA DO G.R.E.S. EM CIMA DA HORA

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Em Cima da Hora foi fundado em 15 de novembro de 1960. A origem de seu nome vem de um bloco do Catumbi, bairro na Zona Norte do Rio, onde moraram dois dos fundadores da escola, Baianinho e Leleco. Este último, inclusive, emprestou seu nome ao bloco carnavalesco de cores verde e branco, o Bloco do Leleco, que mais tarde se transformaria na renomada escola de samba do subúrbio de Cavalcanti, de cores azul-pavão e branco. .

Além dos dois rapazes supra-citados, Eládio Gomes dos Santos, o Baianinho, e Aroldo Diniz Gonçalves, o Leleco, colaboraram para a fundação da Em Cima da Hora Jovino da Silva, Ibiraci de Oliveira, o Bira (diretor de Bateria), Normi de Freitas, que ocupou a presidência, e Manezinho, integrante da diretoria. Natalino José do Nascimento, o inesquecível Natal da Portela, apoiou a criação da escola, que foi batizada pela azul-e-branco de Oswaldo Cruz e Madureira.

Outros personagens de grande relevância para a evolução da escola foram João Severino, sambista que também presidiu a Em Cima da Hora, e Cardosinho, que dirigiu a Ala dos Elegantes e a Velha Guarda.

A agremiação cresceu, conquistou prêmios, como os cinco títulos nos grupos de acesso e os cinco Estandartes de Ouro concedidos pelo jornal O Globo, e inúmeros admiradores como o carnavalesco Fernando Pamplona, o jornalista Sérgio Cabral – ele declarou, na revista Veja Rio, em 26 de janeiro de 1994, seu amor pela Em Cima da Hora –, que foi o enredo da escola em 1997, e o senador Sérgio Cabral Filho. O famoso dançarino Carlinhos de Jesus, cuja infância viveu em Cavalcanti e dentro da quadra da Em Cima da Hora, foi passista da escola – Estandarte de Ouro de Melhor Passista Masculino – e homenageado pela mesma, em 1995, com o enredo “No reflexo do Espelho a Arte de Dançar pela Escola de Samba Em Cima da Hora”.

No mundo do samba e na mídia, a escola ainda ganhou respeito pela realização de verdadeiras obras-primas como “Os Sertões”, composta por Edeor de Paula, e “33 Destino Pedro II”, de Guará e Jorginho das Rosas. Outra pérola de reconhecimento é o samba-enredo “O Saber Poético da Literatura de Cordel”, de Baianinho.

A época áurea da agremiação se deu no início da década de 70, quando desfilou algumas vezes no Grupo 1, o principal daqueles anos. No entanto, apesar de apresentar-se em 1976 com um dos melhores sambas-enredos de todos os tempos, “Os Sertões”, a escola ficou com a penúltima colocação e não conseguiu se manter no grupo das melhores agremiações.

Com a criação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), em 1985, a escola afastou-se cada vez mais do Grupo Especial, dado o processo de elitização que o Carnaval Carioca com o passar dos anos sofreu. O espetáculo ganhou dimensões de aspiração mundial e os desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial transformaram-se em um show para turista ver.

Mas, felizmente, o Carnaval do Rio de Janeiro não se dá apenas na Marquês de Sapucaí. Os blocos carnavalescos voltaram a ocupar as ruas da cidade e as escolas dos grupos de acesso C, D e E fazem a festa para o povo na Estrada Intendente Magalhães, em Campinho, na Zona Oeste da cidade. A mídia contribui com uma acanhada divulgação sobre o trabalho dessas agremiações.

Mas a Em Cima da Hora tem algo muito mais importante que espaços na TV e nos jornais. Ela conta com o empenho de pessoas que gostam, admiram e respeitam sua história e seu pavilhão. Gente que sabe que é preciso muito trabalho e dedicação para arrancar aplausos e sorrisos do público. Pessoas que se identificam com a arte de fazer Carnaval e que compreendem o quão importante é a Festa de Momo, sobretudo para o carioca. Então, vista o manto azul-e-branco e junte-se a nós!

Por Cássia Valadão

FICHA TECNICA

CARNAVAL 2008 - SINOPSE DO ENREDO

"ENTRE PULGAS E PIOLHOS... ASSIM LEVARAM NOSSOS TESOUROS "

(Carnavalesco: Jorge Caribé)

Diz-se que era um dia chuvoso em Portugal e, devido à rapidez com que se decidiu ir embora, foi também um dia confuso. Todo um aparelho burocrático vinha para a colônia: ministros, conselheiros, juízes da Corte Suprema, funcionários do Tesouro, patentes do Exército e da Marinha e membros do alto clero.

Baús com roupas, malas, sacos e engradados seguiam junto com as riquezas da Corte, obras de arte, objetos dos museus, todo dinheiro do Tesouro Português e as jóias da coroa iam sendo colocados nos porões dos navios, bem como cavalos, bois, vacas, porcos e galinhas e mais toda sorte de alimentos.

A confusão era tanta que as caixas com os livros da Biblioteca Real (mais de 60 mil exemplares) ficaram no porto, só vindo para o Brasil dois anos depois.

Na manhã do dia 29 de novembro de 1807, a Esquadra Portuguesa finalmente partiu do porto de Lisboa com destino à colônia. A população de Lisboa assistia atônita a toda essa movimentação.

Não podia acreditar que estivesse sendo abandonada pelo Príncipe Regente e demais autoridades, levando tudo que estivesse à mão, deixando-a totalmente desamparada para enfrentar o exército de Napoleão.

Lisboa estava um caos. Junto e sua tropa, apesar de bastante desfalcada, não tiveram problema para dominar a cidade cuja população estava atordoada com o que consideravam uma fuga vergonhosa.

A invasão foi conseqüência da aliança entre Portugal e Inglaterra, inimiga da França. Napoleão havia exigido dos países europeus que fizessem um bloqueio econômico aos ingleses, e Portugal rejeitou a medida.

A viagem foi difícil. Com naus superlotadas, não havia espaço para todos se acomodarem. Muitos viajaram com a roupa do corpo, pois nem isso pôde ser embarcado, já que a capacidade dos navios há muito havia sido superada.

A água e os alimentos foram racionados, a higiene era de tal forma precária que houve um surto de piolhos nos navios, obrigando as mulheres a rasparem a cabeça e a enfaixarem com bandagens, incluindo a Princesa Carlota Joaquina e as demais damas da Família Real e da Corte.

Devido às tempestades, as esquadras se separam. A Corte primeiro desembarca na Bahia e, depois, em 7 de março de 1808, no Rio de Janeiro, com todos imundos, fedidos, com pulgas e piolhos.

Assim, a população total da cidade, que era de 60 mil almas, das quais 40 mil escravos negros, recebe, só do reino, 15 mil pessoas, além de fortes comerciantes da Inglaterra e França, vários artistas da Itália, sábios naturalistas da Áustria e, da Costa da África, negros de várias compleições.

D. João (13/05/1767 - 10/03/1827), 27° rei de Portugal, Duque de Bragança, Barcelos e Guimarães, Marquês de Viçosa, Conde de Arraiolos, é baixo, gordo, bonachão, comilão, sossegado, carola, e só foi rei porque os dois irmãos mais velhos morreram e a mãe ficou louca!

Porém, apesar de aparente fraqueza, representa a visão do futuro e vem para o novo mundo, fica 13 anos, e faz o Brasil, que era colônia e vice-reino de 1500 a 1808, virar Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1808 – 1822).

Sob pressão inglesa, em janeiro de 1808 abre os portos brasileiros às nações "amigas", num ato que é considerado o início da nossa emancipação econômica. Ainda em 1808, funda o Banco do Brasil para regular a moeda, porém, o desmando é de tal desordem esse emite tanto dinheiro que o lastro de ouro é superado, o dinheiro perde o valor e a respeitabilidade, e o banco fecha as portas em 1828.

Mas D. João traz também sua esposa, Carlota Joaquina (25/04/1777 - 07/01/1830), filha de Carlos IV de Espanha e de Maria Luisa, era bisneta de Luís XV, tetraneta de Luís XIV, ambos reis da França, era baixa, feia, disforme, com barba e bigode, sonhava com a grandeza da Espanha e detestava o Brasil, não vendo a hora de voltar para a Europa. D. João e Carlota Joaquina tiveram nove filho, entre eles: um imperador, um rei e duas rainhas.

Os moradores da cidade do Rio de Janeiro sofrem com o aumento do preço de tudo e ainda são obrigados a doar sempre, de alimento a tecidos, porque era preciso sustentar o dia a dia da Corte, que era de manutenção caríssima e contínua. Logo que chega, D. João começa a confiscar, sem cerimônia, propriedades particulares para a coroa, a fim de abrigar todos os transmigrados.

Para dar moradia a 15 mil nobres portugueses que aqui chegaram, D. João não precisou de nenhum financiamento, simplesmente mandou que os nobres escolhessem as casas que gostassem e estas eram marcadas pelas letras P.R. (Príncipe Regente), e seus moradores tinham um prazo para sair das casas. Os brasileiros revoltados diziam que P.R. significava, na verdade, "Ponha-se na rua".

Temendo talvez que a sua propriedade fosse confiscada sem ressarcimento, pois sua casa era grande para os padrões da época.

Elias A. Lopes colocou sua Quinta à disposição de D. João, que mandou indenizá-lo e lá foi morar com sua mãe, D. Maria I, mas conhecida como D. Maria "a louca", que mandou, por exemplo, destruir os três mil teares existentes no Brasil e de monopólio da demanda nacional de tecidos da indústria inglesa e quase tornou motivo de rebelião ao tentar proibir a produção de cachaças, para que as pessoas tomassem vinhos trazidos da Europa e assim se civilizassem.

Depois de dar casa, era preciso dar emprego a estes nobres. Para isto, D. João criou várias repartições públicas como tribunais, ministérios, a Casa da Moeda do Brasil, a Biblioteca Nacional, a Imprensa Real, o Jardim Botânico, as escolas de medicina do Rio e da Bahia, a Academia Real Militar e a Academia Real de Belas Artes.

Houve, sem dúvida, um grande desenvolvimento cultural em nosso país.

A vinda da Família Real para o Brasil mudou também a fisionomia do Rio de Janeiro. A cidade que os estrangeiros acharam suja, feia e mal cheirosa começou a se expandir e cuidar da aparência, abrindo-se às moedas européias.

Nessa época, foram construídos chafarizes para o abastecimento de água, pontes e calçadas; abriram-se ruas e estradas; foi instalada iluminação pública; passaram a ser fiscalizados os mercados e matadouros, organizadas as festas públicas etc.

Essas melhorias eram realizadas, muitas vezes, com a contribuição de ricos moradores que recebiam em troca benefícios materiais e títulos de nobreza do Príncipe Regente.

A saída da Corte do Brasil, em abril de 1821, foi tumultuada como a vinda. D. João resolveu levar o dinheiro e o ouro do Banco do Brasil.

Nas ruas, o povo cantava: "Olho vivo, pé ligeiro. Vamos a bordo buscar dinheiro". D. Pedro, filho de D. João, que ficou em nosso país como Príncipe Regente, ordenou as tropas que acabassem com o tumulto e impedissem as pessoas de revistarem o navio do rei.

Assim, D. João foi embora levando todo o nosso dinheiro e a certeza de que a independência do Brasil era inevitável. E Carlota Joaquina, feliz da vida que ia embora, esfregava os sapatos um no outro e dizia: "Desta terra, não quero levar nem o pó!"

Bibliografia:Carlota Joaquina, princesa do Brazil. Carla Camurati (o filme)

 

 


                                      G.R.E.S. EM CIMA DA HORA

SEDE: RUA ZEFERINO COSTA, 556 - CAVALCANTE

TEL.: 021 (XX) 32968884 / 021 (XX) 259-99335 / 21 88642936

CORES: AZUL E BRANCO

ENREDO: ENTRE PULGAS E PIOLHOS... ASSIM LEVARAM NOSSOS TESOUROS

PRESIDENTE: MARILENE AMARAL LOPES

CARNAVALESCO: JORGE CARIBÉ

BARRACÃO: PRAÇA MARECHAL HERMES, 63 - SANTO CRISTO

DIRETOR DE CARNAVAL: JEFERSON MARTINS LOPES

AUTOR DO ENREDO: JORGE CARIBÉ

AUTOR DO SAMBA ENREDO: TUIL PONTES, LULA E CARLOS JÚNIOR

INTERPRETE: MARCIO ALEXANDRE

FIGURINISTA: JORGE CARIBÉ

DIRETOR DE BARRACÃO: ROBSON DE OLIVEIRA

DIRETOR DE HARMONIA: OSNIR ALVES DE OLIVEIRA

DIRETOR DE BATERIA: MESTRE CELSO

RESP. ALA DAS BAIANAS: TEREZINHA DE JESUS  

RESP. ALA DAS CRIANÇAS: SUELI, ELIZANGELA  E JORGE HENRIQUE

RESP. GALERIA VELHA GUARDA: VANDERLUBE BICUDO

RESP. COMISSÃO DE FRENTE: 

PRIMEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:  JOSÉ LUIZ E CIDA

SEGUNDO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:

TERCEIRO CASAL Mestre-Sala e Porta-Bandeira:  

Símbolo:  
 
   
 
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