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HISTÓRIA DO S.R.E.S.
LINS IMPERIAL
A Lins Imperial nasceu da fusão
das escolas de samba Filhos do Deserto, fundada em 1933, e Flor de Lins,
fundada em 1946, aqmbas existentes na Cachoeira, no bairro do Lins de
Vasconcellos. As cores das duas escolas eram verde e rosa, por isso persistiram.
São seus fundadores: Agnelo Campos (na época, era presidente
do Flor de Lins), Daniel Fernandes (na época, presidente do Filhos
do Deserto), Darcy Knuth Machado (Caxambu), Durval Olímpio da Silva,
Hervécio Antônio de Lima, Jones da Silva (Zinco), José
da Silva (Jaguarão), João de Oliveira Silva, Georgina Amorim
e outros.
Deve-se a Marinho
Teles, integrante da Filhos do Deserto, a introdução do
reco-reco na bateria. Entre os grandes colaboradores da escola, já
falecido, lembramos os nomes de Atherio Salestiano da Silva, Jones da
Silva (Zinco), José da Silva (Jaguarão), Durval Olímpio
da Silva e o inesquecível carnavalesco Carlos Manoel de Carvalho.
FICHA TECNICA
CARNAVAL 2008 - SINOPSE DO ENREDO
S.R.E.S. LINS IMPERIAL
Presidente administrativo: AntônioAdmir Barbosa
Data da Fundação: 07 de março de
1963
Cores: verde e rosa
Sede administrativa: Rua Lins de Vanconcelos, 623 - Lins
Quadra de ensaios: Rua Lins de Vanconcelos, 623 - Lins
Tel.: 2583-1810 / 2241-7544
Enredo: "Apresento-lhes com louvor, meu pai querido,
Dom João VI"
Carnavalesco(s): Eduardo Gonçalves
Autor(es) do enredo: Eduardo Gonçalves
Bibliografia:
• Debret, Jean Batiste. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil
- Belo Horizonte / São Paulo : Itatiaia, 1978.
* Edmundo Luiz. A Corte de D. João no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro
: Imprensa Nacional, 1940.
* Morales de Los Rios, Adolfo. O Rio de Janeiro Imperial. Rio de Janeiro
: Topbooks, 2002.
* www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br
Diretor Geral de Harmonia: Amauri
Outros Diretores de Harmonia: Felipe, Machine, Pig;
Intérprete Oficial: Celino Dias
Outros Intérpretes: Lequinho, Ricardo 10, Dudu Mendes;
Diretor Geral de Bateria: Mestre Adílio
Outros Diretores de Bateria: Bozo, Guilherme, Claudinho, Nininha, Pc;
Total de componentes: 220
Presidente da Ala das Baianas: Tia Márcia
Total de componentes: 100
Ala das Crianças: "Frutas da estação"
Responsável: Tia Lúcia
Tota de componentes: 100
Galeria Velha Guarda
Presidente: Sr. Otacílio
Total de Componentes: 30
Outras informações:
Agradecimentos na pesquisa do enredo, informações
e imagens a historiadora Lúcia Garcia;
Coordenação geral de carnaval, e barracão : Flávio
Mello;
Assistência de carnaval : William Pedroso;
JUSTIFICATIVA DO ENREDO
Com a chegada da Família Real portuguesa, o Brasil
começa a conhecer personagens históricos importantes, como
o príncipe regente Dom João, sua mulher, a princesa Carlota
Joaquina, sua mãe, Dona Maria, Rainha de Portugal, além
dos príncipes que chegaram ao Brasil ainda crianças, Dom
Miguel e seu irmão Dom Pedro, o personagem narrativo do nosso enredo.
Além da família real, vieram membros da corte portuguesa,
e todos aqueles que encontraram lugar em um dos 36 navios. Talvez um total
de 12.000 a 15.000 portugueses. A decisão sábia deste grande
estadista, que foi D.João VI, teve conseqüências positivas
para Portugal, Brasil e Inglaterra. Apenas a França lamentaria
o evento.
O enredo é uma lúdica e divertida história, de como
seria a visão do, então menino, o príncipe da Beira,
infante Dom Pedro (Dom Pedro I), sobre a história e benfeitorias
que seu pai Dom João VI, fez pelo Brasil. Será uma narrativa
com o olhar de criança de um filho para o seu pai, um estadista
e poderoso governante. O filho conta como foi crescer no Brasil governado
por seu pai - homem de atitudes corajosas e audaciosas, sempre privilegiando
a cultura e o desenvolvimento do nosso país. Desde os momentos
da conturbada e corrida viagem, a chegada, costumes, o Rio de Janeiro
da época, o calor e o Brasil tropical. Temos a intenção
de contar um pouco desses atos e fatos, na visão infanto-juvenil
de Dom Pedro e como foi importante crescer ao lado daquele que seria a
sua maior referência de governo: seu pai Dom João! Isso será
feito através de cores, formas e tratamento visual; tudo vai ter
uma “pegada artística” de história infantil,
porém com fatos muito reais!
Sendo assim, vamos transformar a visão da infância e juventude
do pequenino menino, até a sua maturidade, quando ele vê
seu pai se tornar Rei de Portugal, no momento da “Aclamação
de Dom João VI”! Contaremos e revelaremos o cotidiano dos
cariocas que já habitavam o Rio de Janeiro, quando da época
da chegada da família real portuguesa. E também dos seus
novos moradores, que tiverem que se adaptar aos trópicos. Mostraremos,
ainda, peculiaridades e curiosidades que envolviam o fausto da burguesia
e os arredores do Rio de Janeiro, cenário da época, da nossa
história.
SINOPSE DO ENREDO
“Mistérios do mar - a viagem, o meu mundo
infantil, o mundo diferente!”
“Vou contar-lhes uma história, que começa
na minha infância, passa pela minha adolescência e chega à
minha maturidade e como ela influenciou a minha vida de homem adulto.
Tudo começa, lá pelo princípio do século XIX,
quando o expansionismo de Napoleão Bonaparte levou tropas francesas
à fronteira de Portugal (1807), tendo a minha família real
decidido embarcar para o Brasil, invocando o imperativo de preservar a
soberania nacional!
Depois de muita correria e confusão no embarque, e após
dois meses em alto mar, finalmente, em 22 de Janeiro de 1808, chegamos
à Bahia.
Saímos de Portugal com a intenção de nos refugiarmos
das tropas francesas de Napoleão Bonaparte que tinham invadido
o território português. Sou o príncipe da Beira, infante
Dom Pedro, e esse é só o inicio...
Nossa viagem começa no mar... Ventos que sopram as ondas. Ondas
que batem nas naus, e fazem elas balançarem ... Pra lá e
pra cá, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá,
pra lá e pra cá. É quase um acalanto, um barulhinho
em forma de música, que ecoa na minha cabeça. Mas o balanço
das ondas, que às vezes provocam enjôos e assustam, também
fazem a minha distração. É lá, no mar, no
vai e vem das naus que começam as minhas primeiras “visões”,
pois para mim, o mar, com sua força e mistério, abrigava
monstros marinhos, e seres que jamais havia conhecido. Era o que se falava
na Corte Portuguesa, e isso não saía da minha cabeça!
Achei que de alguma forma, os monstros poderiam surgir do mar a qualquer
momento, e devorar as naus... Meu pai é quem me acalmava e dizia
que isso não existia, eram coisas inventadas por marinheiros sem
coragem. Escondia-me nos meus aposentos e a minha distração
era brincar com meu irmão Dom Miguel e outras crianças,
junto com meus brinquedos prediletos: os soldadinhos de chumbo misturam-se
com bolas coloridas de vidro, cavalinhos de pau e bonecos de madeira trazidos
de França especialmente para mim. Sempre fui um apaixonado por
jogo de xadrez, e, até hoje, está em exposição
no Museu Histórico Nacional, um tabuleiro de jogo de xadrez que
me pertenceu, assim como bonecos chineses, que também eram os meus
preferidos na diversão!
Meu pai Dom João, sempre procurava me distrair e me contava sobre
a terra que já estava próxima. Dizia ele, que era uma terra
muito rica e próspera, e que nós iríamos gostar!
Tudo que lá havia era bom: frutas e plantas de cores variadas,
aves de plumagem exótica, riquezas jamais vistas - um perfeito
paraíso, segundo papai...
Dessa forma o tempo ia passando e eu me esquecia da longa e distante viagem.
Só pensava em tudo de novo e curioso, que meu pai me falava, e
assim minha imaginação ia me levando a sonhos distantes
de uma terra rica e feliz... Com certeza viveríamos momentos inesquecíveis
por lá!”
“O cotidiano do povo no Rio de Janeiro de D.João”
“Para mim, o Brasil era desconhecido, é claro!
Assim como para a maioria dos portugueses que desembarcaram aqui, no Rio
de Janeiro em 7 de março de 1808. Quando cheguei, tinha apenas
9 anos, foi um tempo de adaptações aos novos costumes, principalmente,
ao calor insuportável e à nova moradia. Logo tive a “visão”
da população carioca que morava aqui...meu pai fez questão
de passear pelos arredores da cidade, durante as primeiras semanas de
chegada...
O que mais me chamou à atenção foi a população
de negros, muitos, mas muitos e tão de perto como jamais tinha
visto... Isso era estampado pelas poucas ruas e pequenas vielas da época:
Rua das Belas Noites (atual das Marrecas) ou praia das Areias de Espanha
- primeira nomenclatura da praia da Lapa, que depois se afastou do mar
e transformou-se no reduto da boêmia carioca. Foram surgindo, mais
tarde, também, a Rua do Fogo e a do Piolho (dos Andradas e da Carioca),
a das Flores (de Santana), a das Violas e a dos Pescadores (Teófilo
Otoni e Visconde de Inhaúma). Dos vários nomes atribuídos,
o mais exótico foi Sucussarará (hoje rua da Quitanda), dado,
provavelmente, por alguns cronistas de modo anedótico, já
tão carioca. Contam que recebeu esse nome porque na rua clinicava
um médico inglês, que, após examinar um paciente (provavelmente
com hemorróidas), prescreveu uma receita e recomendou, com forte
sotaque britânico: ‘Tome esse remédio que su c... sarará!’
- Enfim contos, fatos ou boatos do cotidiano urbano carioca, que agora
faziam parte da minha vida!
Outros personagens pitorescos da época eram os “tigres”
que infestavam as ruas da cidade do Rio de Janeiro, principalmente, à
noite. Embora não fossem de verdade, a sua simples aparição
numa esquina já fazia com que os mais prevenidos atravessassem
a rua, com o pavor do que um simples esbarrão neste temido personagem
da vida carioca de antigamente poderia acarretar. Mas muita calma nessa
hora - os “tigres”, nada mais eram do que os escravos que
carregavam os dejetos das casas para jogarem no mar ou em rios e lagos.
As “fezes” e “águas servidas” eram carregadas
em baldes na cabeça pelos escravos e a sua definição
provoca controvérsias entre historiadores. Para alguns, os “tigres”
eram os escravos, para outros, os baldes, e para mais alguns eram o conjunto
escravo-balde. O conjunto ‘negro-barril’ foi apelidado de
‘tigre’, pois não era menos assustadora do que a visão
de uma fera aos transeuntes das ruas desertas, de precária iluminação.
Os pobres escravos ganharam esse apelido por causa do derrame das águas
sujas que lhes deixavam as roupas claras com machas que lembravam os tais
tigres africanos!
Meu pai me mostrava tudo, e meus olhos quase não podiam acreditar!
Vi os negros maltrapilhos misturados com vendedores de peixes, de flores
e bugigangas, que andavam pelas ruas. Vi pequenos estabelecimentos crescerem
com a nossa chegada, e as ruas também.... barbeiros da rua do Piolho
(atual rua da Carioca), dentistas e sangradores, aplicando bichas (sanguessugas)
e ventosas, segundo os princípios de medicina da época,
em casarões de dois andares. Tudo acontecia pelos arredores do
centro da cidade. Vi de perto anunciadores de capim, do angu à
água na tigela! Lojas que vendiam sedas e brocados, carregadores
de peso, cata-piolhos, marceneiros e negros de ganho. De certa forma,
a escravidão revelava, ainda, a forma com que violência os
negros eram tratados, e isso poderia ser visto nas costas dos açoitados!
Bois, cavalos de passeio, burros, jegues, gatos e cães da calçada
compunham a barulhenta “população” das ruas.
A cidade foi crescendo, junto com sua população, graças
também à abertura dos portos a partir do tratado assinado
por meu pai, ainda quando estávamos na Bahia, em 28 de janeiro
de 1808.
A linguagem das flores, código de comunicação entre
as moças "janeleiras" e seus pretendentes, é outro
fato divertido e curioso, que me chamou atenção, e por que
me interresei muito. Cotovelos apoiados em almofadas, elas conseguiam
mandar recados silenciosos: a flor malmequer sobre o peito sinalizava
"cruéis tormentos", mas, preso aos cabelos, tinha por
significado "não digo o que sinto". Quando o rapaz passava
diante da janela exibindo um botão de rosa branca estava propondo
casamento, e seu destino ficava nas mãos das donzelas, pois somente
outra flor poderia ser a resposta positiva ao pedido do moço. Se
na resposta da donzela aparecesse a margarida dobrada, a tradução
era "estou de acordo com os vossos sentimentos"; duas violetas,
por sua vez......era o fim para o pobre pretendente, pois significava:
"Quero ficar solteira!”. Nos dias atuais, seria o famoso “Tô
fora...”
O conceito de objetos para decoração difundiu-se com a nossa
chegada, e as casas passaram a ter biombos de charão, espelhos,
estátuas de gesso, figuras de porcelana, jarras para flores, vasos
de alabastro. Certas utilidades domésticas fazem a sua aparição,
apesar do serviço continuar a ser feito por escravos: bancas de
lavar, fogões de ferro com seus pertences para cozinha, lavatórios
de bronze, etc.
Se já era comum a presença de guitarras e rabecas nas moradas
cariocas, agora surgiam as harpas, os piano-fortes, os cravos de penas,
as violas francesas de acompanhamento: o que testemunha a rica vida musical
do Rio de Janeiro durante os 13 anos em que meu pai permaneceu na cidade,
promovendo tantos benefícios materiais. Os quadros e as estampas
tornaram-se presentes no interior das casas. Todos queriam ter um pouco
do requinte e sofisticação recém- chegados!
Todos esses personagens pitorescos e objetos invadiram a minha mente,
tudo isso, me foi apresentado por meu pai de forma repentina!! As cores
e alegria tropical transformaram toda essa “feira típica”
em uma agradável e reveladora “visão” do povo
carioca dessa época, tudo isso vira alumbramento aos meus olhos!
Como agradeço ao senhor meu pai Dom João, por ter permitido
que eu conhecesse tamanha espontaneidade e festa natural! Podia ver isso
estampado no meu sorriso, quando fitava, ainda moleque, as morenas do
mercado...Se meu pai não tivesse vindo e me trazido, talvez, não
saberia agora o conhecimento das palavras : festa e alegria!!”
“A fauna e a flora, um tapa aqui e ali. Exuberante
natureza!!!”
“Eu, meu irmão Infante Dom Miguel e outras
crianças da realeza, brincávamos sempre pelos jardins verdes
do Palácio onde fomos residir - A quinta da Boa Vista - Propriedade
doada para meu pai Dom João por Elias Antônio Lopes ( rico
comerciante português e negociante de escravos ), poucos meses depois
da nossa chegada ao Rio de Janeiro.
Localizada no bairro de São Cristóvão, a Quinta da
Boa Vista contava com um palacete, no qual se destacava uma varanda com
mais de trezentas janelas, e jardins de grandes proporções.
A chácara foi objeto de reformas dirigidas por arquitetos, paisagistas
e autoridades incumbidas de torná-la apropriada para a nobreza,
e logo foi elevada à residência real. A ilha de Paquetá,
Ilha dos Frades e Ilha do Governador, também, eram outras residências
muito especiais por onde eu, meu pai e minha família passamos.
O Brasil era conhecido pelos portugueses que pra cá vieram como
“Terra das bofetadas” - pois era assim que eles se defendiam
dos ataques dos pequeninos e chatos insetos voadores. A fauna e os jardins
com flora exuberante, logo, viraram uma “visão” de
fascínio e imaginação aos meus olhos. Assim os mosquitos
de pernas longas e de asas barulhentas se transformam em “monstros
torturadores”, formigas e gafanhotos, são um tormento que
invadem a minha imaginação de menino!! Ratos, baratas e
camundongos tinham de sobra...pulgas também! Outros bichos, como
sapo, perereca, etc... acabavam habitando as nossas “historinhas
de crianças”, principalmente quando papai Dom João
nos levava para passear na nossa Fazenda de Santa Cruz.
Ela era uma grande propriedade, composta por algumas aldeias de cercanias.
Por lá, ficávamos mais tempo do que em outros sítios,
pois era uma fazenda muito bonita, antiga propriedade dos jesuítas
e ficava a 11 léguas da cidade. Em Santa Cruz, todas essas “historinhas”
pareciam mais reais, pois tínhamos contato direto com a natureza,
tudo isso era motivo de uma lúdica e fantasmagórica imaginação
fértil de criança feliz.
E existe o lado colorido dessa “historinha”: as aves jamais
vistas por mim. Exatamente como meu pai me contava nas naus. Papagaios
e araras coloridas, algumas já presas em gaiolas douradas, dentro
da Fazenda de Santa Cruz. Flores e plantas gigantes na minha cabecinha
delirante de infante se transformam em paisagens que pareciam pinturas
de retratistas, que meu pai Dom João mandara vir da Europa para
dar aulas na recém inaugurada Academia Real de Belas Artes. Explodem
as cores e as formas, e assim eu deliro na emoção de poder
ver minha fantasia de criança, se tornar realidade nas mãos
dos artistas que aqui chegaram em 1816!”
“Frutas e guloseimas se misturam ao livro de receitas
trazido por papai na viagem para cá!!!”
“Papai trouxe para o Brasil inúmeros livros,
muitos, muitos mesmo, tantos que originaram a primeira Biblioteca Brasileira.
Na verdade, no inicio, a Real Biblioteca foi acomodada nas salas do Hospital
da Ordem Terceira do Carmo, tão logo a coroa portuguesa se estabeleceu
no país, em 1808. Porém, o acesso a seu acervo geral era
restrito a estudiosos mediante prévia autorização!
Foi apenas a partir de 1814, seguindo tendência verificada em países
liberais da Europa, que papai permitiu que a biblioteca assumisse a primazia
de seu caráter público. E, em 1822, com a Independência,
passou a denominar-se Biblioteca Imperial e Pública da Corte. Mas
tudo isso é para contar sobre um dos livros que meu pai Dom João
trouxe para cá. Era um livro de culinária chamado “Arte
de cozinha”, editado originalmente no século XVII e que sofreu
inúmeras reedições, do “mestre de cozinha”
Domingos Rodrigues. Nele, poderíamos aprender a cozinhar vários
guisados de todos os gêneros de carnes, conservas, tortas, empadas
e pastéis. Assim como peixes, mariscos, frutas, ervas, ovos, laticínios,
doces, conservas do mesmo gênero. E também, como preparar
mesas, em todo o tempo do ano para receber, Príncipes e Embaixadores.
Um verdadeiro guia culinário que meu pai, muito sabiamente, trouxe
para terras tropicais, pensando em talvez como sobreviver e receber convidados
por aqui!
Papai já sabia que a nossa família era boa de garfo...Ele
próprio adorava as mangas, um dos alimentos brasileiros que nós
conhecemos aqui no Brasil. A
goiaba, a mandioca e tapioca também foram de muito agrado para
nós! Mamãe, Carlota Joaquina, adorava os nossos palmitos,
e os enviava sempre que podia para o seu irmão na Espanha. Acho
que foi mamãe Carlota, quem “inventou” a caipirinha!
Ela apreciava a pinga brasileira, também chamada de aguardente.
A caipirinha que mamãe fazia, era feita com aguardente de cana
e frutas tropicais, e a mistura de sal com amoníaco gelava as bebidas!
Eu, nessa época, já me tornara “raparigo”, e
na necessidade de improvisar um rápido lanche, pedi que um empregado
preparasse um arroz de chouriço (com pele de lingüiça),
isso se tornou uma de minhas comidas preferidas, além de suspiros
com damascos, pão-de-ló e sorvete, que realmente eu sempre
amei!
Dessa forma, o colorido das frutas, as guloseimas como bolos de milho,
pudim de leite da vaca, caramelados de açúcar mascavo, compotas
adoçadas e outros cheiros, vindos das cozinhas das pretas cozinheiras
de forno, me deixavam sempre com água na boca! Nunca mais vou me
esquecer desses cheiros e das farras da gula aqui no Brasil.”
“E papai se torna Rei”
“Em 1816, morreu Da. Maria I, minha avó,
e papai subiu ao trono como D. João VI. Mas, como a Corte precisava
obter a ratificação da Regência de Lisboa e da anuência
das grandes potências européias, D.João só
foi aclamado, solenemente, no Paço Real do Rio de Janeiro, em 06
de Fevereiro de 1818. Esta cerimônia consagrou a Resolução
Real transportando para o Brasil a sede da realeza portuguesa.
Assim, eu cresci e pude presenciar, aos meus 20 anos, a aclamação
do meu pai Rei Dom João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarves. Que festa incrível! A Muy Leal Cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro jamais vira tamanha beleza... A Gazeta do Rio de Janeiro
(primeiro jornal feito na Imprensa Régia, criada por papai, que
circulou no Brasil), descreveu em suas páginas que as casas ficaram
todas acessas e muito iluminadas!! A população nas ruas
para celebrar, dançou até o “catupé”
- variedade de congo, antigamente ligado a festejos religiosos e depois
ao carnaval carioca!! Fogos de artifício bem engenhosos estouraram
nos céus, e carros alegóricos, que os vários grupos
sócio-profissionais ofereceram, contribuíram para o esplendor
que foi o cortejo em homenagem ao então Rei Dom João VI...
E foi assim:
- Os negociantes de varejo e boticários apresentaram o Carro da
América acompanhado pela dança dos índios;
- Os negociantes de molhados e lojas de louças, o Carro da Imortalidade
com a dança dos heróis portugueses;
- Os artesãos (latoeiros, ferreiros, segeiros, etc.) também
ofereceram carros alegóricos, ou então simplesmente danças
como a dança dos mouros;
- Os negociantes do ouro e da prata e os relojoeiros, o Carro da China;
- E ainda houve os carros e danças do corpo do comércio,
que contribuíram com um carro de Triunfo à romana, cuja
execução se deu pelo maquinista do Real Teatro São
João. Dentro deste carro iam várias máscaras no trajo
dos antigos portugueses, com capacete, lança e escudo, os quais
executaram danças acompanhados por sua própria banda de
música!
- Havia ainda outro que representava O triunfo do Rio de Janeiro e conduzia
dezesseis dançarinos e oito músicos.
Dessa forma, pude ver o quanto meu pai era querido pelo povo brasileiro!
Em 26 de Abril de 1821, meu pai regressa a Portugal, onde os revolucionários
liberais exigiam a sua presença. No Rio de Janeiro, como príncipe-regente,
eu, seu filho Pedro, fico e assumo o papel de Príncipe Regente.
Ele se foi, mas ficou para sempre na memória do povo brasileiro.
Há quem diga que “dos chefes de Estado que tem tido o Brasil,
o que mais amou, e muito provavelmente, o Rio de Janeiro, foi sem dúvida
D. João VI”. O simples fato de a monarquia portuguesa aqui
se estabelecer, deu ao Brasil o status de reino, e, com isso, muitos privilégios
foram conseguidos para a nação! O curto período de
tempo que meu pai aqui ficou foi definitivo para o futuro e rumo desse
país. Meu pai promoveu o Brasil à categoria de Reino. Além
de abrir os portos, coisa impossível de se fazer sendo colônia,
permitiu que houvesse manufaturas aqui! Para promover o comércio,
papai instalou o Banco do Brasil e criou a Casa da Moeda; criou, também,
uma fábrica de pólvora, duas academias (a Militar e a da
Marinha) e organizou fundições de ferro. Nossa presença
provocou a reurbanização da cidade e um enorme impacto nos
costumes. Mudamos o estilo de vestir e de se comportar do carioca, que
passou a freqüentar bailes, chás e espetáculos de ópera.
Também nessa época, a população do Rio subiu
de 60.000, em 1808, para 100.000 em 1820. E o característico chiado
carioca, de tanto que o povo, jocosamente, imitou nosso falar!
Posso dizer que tudo que vivi e aprendi aqui foi espelhado no grande estadista
que foi meu pai Dom João VI. Desde a minha saída de Portugal,
o tempo no mar, a chegada em solo tropical, o cotidiano, as minhas visões
de infância e meus gostos e sabores foram reflexos de tudo que aprendi
com papai!!
Meus olhos se enchem de lágrimas e posso dizer que o infante que
eu era, adolescente que cresceu pelos campos brasileiros, me fiz homem
Imperador do Brasil, através dos olhos e das mãos do meu
pai: João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís
António Domingos Rafael de Bragança, cognominado - O Clemente
- Dom João VI, meu pai!!!”
A vinda da família real portuguesa para o Brasil foi um fato de
grande importância para o nosso país, e a Família
Lins Imperial não poderia deixar de contar, de uma forma diferenciada,
como este fato influenciou a nossa cultura.
Transformamos a História em enredo de carnaval. E nada melhor do
que a maior festa do mundo para brindarmos a celebração
desse bicentenário de crescimento cultural que foi a chegada do
Príncipe Regente D. João e sua família para o Brasil!!
Eduardo Gonçalves - autor do enredo
ROTEIRO DO DESFILE
Setores da Escola
1o SETOR
nome: “Mistérios do mar - a viagem, o meu
mundo infantil, o mundo diferente!”
numeração das alas: Ala 1 “O mar, a tormenta da viagem”
até Ala 5 “A chegada dos portugueses”
2o SETOR
nome: “O cotidiano do povo no Rio de Janeiro de
D.João”
numeração das alas: Ala 6 “Vendedores de aves e peixes”
até Ala 11 “Namoro das janeleiras”
3o SETOR
nome: “A fauna e a flora, um tapa aqui e ali. Exuberante
natureza!!!”
numeração das alas: Ala 12 “Roedores do Rio antigo”
até Ala 17 “Flores e plantas exóticas”
4o SETOR
nome:“Frutas e guloseimas se misturam ao livro de
receitas trazido por papai na viagem para cá!!!”
numeração das alas: Ala 18 “Real Biblioteca”
até Ala 22 “ Prataria e porcelana do rei”
5o SETOR
nome: “E papai se torna Rei”
numeração das alas: Ala 23 “A Gazeta Nacional publicou”
até Ala 31 “Velha Guarda”
ROTEIRO DO DESFILE
Alas
Descrição das Alas
Figurinista(s):
Nº Nome da Fantasia Nome da ala descrição Responsável
pela ala
“Brinquedos do mundo infantil” Comissão de Frente Brinquedos
do pequeno D. Pedro e de outras crianças que vieram nas naus, ganham
“vida”, na apresentação da S.R.E.S.Lins Imperial
- Soldadinho de chumbo, bonecas de porcelana, marionetes chineses, polichinelos,
bobos da corte e bonecos de pano, acompanham o imaginário infantil
das crianças que chegaram no Rio de Janeiro em 1808. Hoje são
esses brinquedos que pedem passagem para o desfile da Lins Imperial; Renata
Mounier
1 1 “O mar - a tormenta da viagem” “Grupo Dançando
samba” “Nossa viagem começa no mar... Ventos que sopram
as ondas. Ondas que batem nas naus, e fazem elas balançarem ...
Pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, pra lá
e pra cá, pra lá e pra cá. É quase um acalanto,
um barulhinho em forma de música, que ecoa na minha cabeça..”
Mônica e Júlio
2 2 “Visões marítimas” “Ala das baianas”
“É lá, no mar, no vai e vem das naus que começam
as minhas primeiras “visões”, pois para mim, o mar,
com sua força e mistério, abrigava monstros marinhos, e
seres que jamais havia conhecido. Era o que se falava na Corte Portuguesa,
e isso não saía da minha cabeça! Achei que de alguma
forma, os monstros poderiam surgir do mar a qualquer momento, e devorar
as naus... Meu pai é quem me acalmava e dizia que isso não
existia, eram coisas inventadas por marinheiros sem coragem.” Tia
Márcia
3 3 “Soldadinhos de chumbo” “Ala do Carlão”
“Os soldadinhos de chumbo, eram uma das distrações,
papai manda buscar esses bonecos direto de França...especialmente
para mim” Carlos André
4 4 “Jogo de xadrez” “Ala amigos do méier”
“O jogo de xadrez também veio na viagem, e até hoje
há um em exposição, que me perteceu, no Museu Histórico
Nacional” Bruno e Sr. Antônio
5 5 “A chegada dos portugueses” “Ala chegou a hora”
“Para mim, o Brasil era desconhecido, é claro! Assim como
para a maioria dos portugueses que desembarcaram aqui, no Rio de Janeiro
em 7 de março de 1808.” Flávio
6 6 “Vendedores de aves e peixes” “Ala de bar em bar”
“Logo tive a “visão” da população
carioca que morava aqui...meu pai fez questão de passear pelos
arredores da cidade, durante as primeiras semanas de chegada...,conheci
os vendedores de aves e peixes” Graça do Issac
7 7 “Vendedores de flores” “Ala Azamor” “Depois
foram os vendedores de flores...” Paulinho e Mocinha
8 8 “Vendedores de milho e pamonhas” “Ala da Vitória”
“Outros personagens pitorescos eram os vendedores de milhos e pamonhas,
com cestos de palha !” Vitória
9 9 “E o Rio se modificou...” “Ala amigos da águia”
O conceito de objetos para decoração difundiu-se com a nossa
chegada, e as casas passaram a ter biombos de charão, espelhos,
estátuas de gesso, figuras de porcelana, jarras para flores, vasos
de alabastro. Certas utilidades domésticas fazem a sua aparição,
apesar do serviço continuar a ser feito por escravos. Os quadros
e as estampas tornaram-se presentes no interior das casas. Todos queriam
ter um pouco do requinte e sofisticação recém chegados!
Marcelo e Rogério
10 “Barbearia Rua do Piolho” “Ala do Will” “Vi
pequenos estabelecimentos crescerem com a nossa chegada, e as ruas também....
barbeiros da rua do Piolho (atual rua da Carioca), dentistas e sangradores,
aplicando bichas (sanguessugas) e ventosas, segundo os princípios
de medicina da época, em casarões de dois andares. Tudo
acontecia pelos arredores do centro da cidade. Vi de perto anunciadores
de capim, do angu à água na tigela!” William Pedroso
11 “Namoro das janeleiras” “Ala dos ursos” “A
linguagem das flores, código de comunicação entre
as moças "janeleiras" e seus pretendentes, é outro
fato divertido e curioso, que me chamou atenção, e por que
me interresei muito. Cotovelos apoiados em almofadas, elas conseguiam
mandar recados silenciosos: a flor malmequer sobre o peito sinalizava
"cruéis tormentos", mas, preso aos cabelos, tinha por
significado "não digo o que sinto". Quando o rapaz passava
diante da janela exibindo um botão de rosa branca estava propondo
casamento, e seu destino ficava nas mãos das donzelas, pois somente
outra flor poderia ser a resposta positiva ao pedido do moço. Se
na resposta da donzela aparecesse a margarida dobrada, a tradução
era "estou de acordo com os vossos sentimentos"; duas violetas,
por sua vez......era o fim para o pobre pretendente, pois significava:
"Quero ficar solteira!”. Nos dias atuais, seria o famoso “Tô
fora...” Beto e Edu
12 “Roedores do rio antigo” “Ala Lena comunidade”
“Ratos, baratas e camundongos tinham de sobra...pulgas também!
Tudo isso habitava o meu imaginário de criança!” Lena
13 “Pintores e retratistas de D. João” “Ala Bateria”
"Jean-Baptist Debret - Integrou a Missão Artística
Francesa ( 1816 ), junto com outros artistas. Eles fundaram no Rio de
Janeiro, uma academia de Artes e Oficíos, mais tarde receberia
o nome de Academia Imperial de Belas Artes - atual Escola de Belas Artes.
Uma de suas obras, serviu como base para definir as cores e formas geométrica
da atual bandeira republicana do Brasil, adotada em 19 de novembro de
1889;" Mestre Adílio
14 “Escravas da Fazenda de Santa Cruz” “Ala de passistas”
"Com abanadores e roupas coloridas, e os escravos da fazenda de Santa
Cruz, fizeram parte da minha imaginação, e sempre gostei
de brincar com eles pelos jardins da fazenda" Sr. Ciro do Agogô
15 “A terra das bofetadas” “Ala Rey comunidade”
"O Brasil era conhecido pelos portugueses que pra cá vieram
como “Terra das bofetadas” - pois era assim que eles se defendiam
dos ataques dos pequeninos e chatos insetos voadores. Na minha cabeça
de menino, eles eram muito grandes e com cores cítricas. Assim
os mosquitos de pernas longas e de asas barulhentas se transformam em
“monstros torturadores”, formigas e gafanhotos, são
um tormento que invadem a minha imaginação de menino!! "
Rey
16 “Aves emplumadas” “Ala Lins” "As aves
jamais vistas por mim. Exatamente como papai contava. Tucanos e araras,
sabiás, papagaios...todos soltos voando, alguns mais diferentes
presos em gaiolas douradas, lá na fazenda de Santa Cruz."
Érika
17 “Flores e plantas exóticas” “Ala do Gera”
"Flores e plantas gigantes na minha cabecinha delirante de infante
se transformam em paisagens que pareciam pinturas de retratistas, que
meu pai Dom João mandara vir da Europa para dar aulas na recém
inaugurada Academia Real de Belas Artes." Gera
18 “Real Biblioteca” “Ala verde e rosa” “Papai
trouxe para o Brasil inúmeros livros, muitos, muitos mesmo, tantos
que originaram a primeira Biblioteca Brasileira. Na verdade, no inicio,
a Real Biblioteca foi acomodada nas salas do Hospital da Ordem Terceira
do Carmo, tão logo a coroa portuguesa se estabeleceu no país,
em 1808. Porém, o acesso a seu acervo geral era restrito a estudiosos
mediante prévia autorização! Foi apenas a partir
de 1814, seguindo tendência verificada em países liberais
da Europa, que papai permitiu que a biblioteca assumisse a primazia de
seu caráter público. E, em 1822, com a Independência,
passou a denominar-se Biblioteca Imperial e Pública da Corte."
Rose e Cléia
19 “Livro de receitas de papai” “Ala Palácios”
"Meu pai trouxe para cá um raríssimo livro, que ele
gostava muito. Era um livro de culinária chamado “Arte de
cozinha”, editado originalmente no século XVII e que sofreu
inúmeras reedições, do “mestre de cozinha”
Domingos Rodrigues. Nele ensinava também, como preparar mesas,
em todo o tempo do ano, para receber, Príncipes e Embaixadores."
Rogério Palácios
20 “Doces e delícias da corte” “Ala águia
imperial” "Maravilhas da cozinha eram tiradas do livro de receitas
- Um verdadeiro guia culinário que meu pai, muito sabiamente, trouxe
para terras tropicais, pensando em talvez como sobreviver e receber convidados
por aqui!" Graça e Tânia
21 “Frutas da estação” “Ala das crianças”
"Frutas coloridas se misturam, e dessa forma as cores e cheiros nunca
mais sairam da minha cabeça......sempre me lembro das farras da
gula da terrra Brasil" Tia Lúcia
22 “Prataria e porcelana do rei” “Ala dos fidalgos”
"Papai trouxe nas naus o melhor da prataria e porcelana portuguesa
( na verdade a maioria dessas peças era confeccionada na China,
e meu pai ganhava de presente de reis e e imperadores ), já os
brasileiros viram tudo isso pela primeira vez....luxo e requinte"
Paulo Marrocos e Torresmo
23 “A Gazeta Nacional publicou” “Ala da Margarida”
"A Gazeta do Rio de Janeiro (primeiro jornal feito na Imprensa Régia,
criada por papai, que circulou no Brasil), descreveu em suas páginas
que as casas ficaram todas acessas e muito iluminadas!! Tudo isso para
celebrar o novo rei" Margarida
24 “Enfeites da festa da aclamação” “Ala
pqps” "Todos se empenhavam como podiam na ornamentação
da Festa da Aclamação de Dom João. Destaque para
os arranjos de flores em sombrinhas de vime com fitas!" Ronaldo Abraão
25 “Homenagens alegóricas” “Ala da Rose”
"Fogos de artifício bem engenhosos estouraram nos céus,
e carros alegóricos, que os vários grupos sócio-profissionais
ofereceram, contribuíram para o esplendor que foi o cortejo em
homenagem ao então Rei Dom João VI..." Rosemere
26 “Aclamação de D. João VI” “Ala
dos meninos” "Assim eu cresci, e pude presenciar, meu pai aclamado
Rei Dom João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Que emoção!" André e Márcio
27 "Vi o seu povo aplaudir" “Grupo dançando samba”
"Vi o seu povo aplaudir... A população saiu nas ruas,
para celebrar, dançou até o “catupé”
- variedade de congo, antigamente ligado a festejos religiosos e depois
ao carnaval carioca. Negros, cariocas, portugueses, orientais, todos deram
as mãos e foram celebrar o novo rei!!" Mônica e Júlio
28 “Ministros do rei” “Ala dos compositores” "Os
ministros e figurões importantes se vestiram com suas melhores
roupas” Sr. Pedro Paulo
29 “Convidados do rei” “Ala Raízes do Lins"
"A burguesia está em festa. D.João se torna rei em
terras tropicais" Sr. Luizinho
30 “Mulheres da burguesia” Ala Departamento feminino”
"As mulheres vestiram os trajes mais lindos e foram festejar"
Sra. Dilma
31 “Nobres da corte” “Ala velha guarda" "A
velha guarda da escola de samba Lins Imperial, fecha o desfile, com roupas
tradicionais de nobres da corte de D. João VI" Sr. Otacílio
ROTEIRO DO DESFILE
Alegorias
Descrição das Alegorias
1o ALEGORIA
Nome: "Monstro do imaginário, a viagem"
descrição: "Nossa viagem começa
no mar... Ventos que sopram as ondas. Ondas que batem nas naus, e fazem
elas balançarem ... Pra lá e pra cá, pra lá
e pra cá, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá.
É quase um acalanto, um barulhinho em forma de música, que
ecoa na minha cabeça. Mas o balanço das ondas, que às
vezes provocam enjôos e assustam, também fazem a minha distração.
É lá, no mar, no vai e vem das naus que começam as
minhas primeiras “visões”, pois para mim, o mar, com
sua força e mistério, abrigava monstros marinhos, e seres
que jamais havia conhecido. Era o que se falava na Corte Portuguesa, e
isso não saía da minha cabeça! Achei que de alguma
forma, os monstros poderiam surgir do mar a qualquer momento, e devorar
as naus..."
O carro alegório é um mostro com forma plástica de
brinquedo, a naus que segue atrás é uma imaginação
do pequeno infante. Ela aparece para o menino toda de azulejo português
e cercada por ondas e seres marinhos"
Autor:
Criação - Eduardo Gonçalves, ferreiro
- Gilberto e equipe, carpintaria - Juarez e equipe, esculturas e pintura
de arte - Sr. Celso e equipe, fibra e reprodução - Miltinho,
decoração - Sr. Arnaldo e equipe;
Principais destaques :
Central no dragão de brinquedo - Edinelson - "Sr.
Netuno nos mares"
Central na naus - Ricardo Ferrador - "Apresento-lhes com louvor,
meu pai querido, D. João VI"
Composição - "Ilusão do mar"
número da ala anterior à alegoria: Comissão
de frente
Tripé -
Nome - "Os negros do cotidiano"
descrição - "O que mais me chamou à
atenção foi a população de negros, muitos,
mas muitos e tão de perto como jamais tinha visto... Isso era estampado
pelas poucas ruas e pequenas vielas da época"
Os negros vendedores e escravos, aparecem nesse tripé dividindo
a primeira parte do enredo da segunda.
Não há destaques em cima dele.
número da ala anterior a alegoria - Ala 5 - "A
chegada dos portugueses"
2o ALEGORIA
Nome: "O cotidiano do Rio de Janeiro de D. Joaõ"
descrição: "Meu pai me mostrava tudo,
e meus olhos quase não podiam acreditar! Vi os negros maltrapilhos
misturados com vendedores de peixes, de flores e bugigangas, que andavam
pelas ruas. Vi pequenos estabelecimentos crescerem com a nossa chegada,
e as ruas também.... barbeiros da rua do Piolho (atual rua da Carioca),
dentistas e sangradores, aplicando bichas (sanguessugas) e ventosas, segundo
os princípios de medicina da época, em casarões de
dois andares. Tudo acontecia pelos arredores do centro da cidade. Vi de
perto anunciadores de capim, do angu à água na tigela! Lojas
que vendiam sedas e brocados, carregadores de peso, cata-piolhos, marceneiros
e negros de ganho. Assim o Rio de Janeiro foi crescendo com a chegada
da família real!"
O carro é o cotidiano do Rio de Janeiro, que mais
tarde virou prancha de pintura e estudo do grande pintor Jean Baptiste
Debret, os cenários são réplicas idênticas
as suas pranchas de pintura! No alto, o pintor é representado por
uma escultura, e dois bois gigantes que foram muito retratos pelo artista
fecham o alto do carro, apresentados de forma diferente na avenida dos
desfiles!
Autor: Criação - Eduardo Gonçalves,
ferreiro - Gilberto e equipe, carpintaria - Juarez e equipe, esculturas
e pintura de arte - Sr. Celso e equipe, fibra e reprodução
- Miltinho, decoração - Bruno e equipe;
Principais destaques - Grupos de teatro fazem uma brincadeira
de criança bem conhecida o : "estátua!!". Em alguns
trechos do samba eles param e viram esculturas do carro alegórico.
número da ala anterior à alegoria: Ala 11
- "O namoro das janeleiras"
3o ALEGORIA
Nome: "A Terra das bofetadas - fauna e a flora -
um tapa aqui e ali - exuberante natureza"
descrição: "O Brasil era conhecido
pelos portugueses que pra cá vieram como “Terra das bofetadas”
- pois era assim que eles se defendiam dos ataques dos pequeninos e chatos
insetos voadores. A fauna e os jardins com flora exuberante, logo, viraram
uma “visão” de fascínio e imaginação
aos meus olhos. Assim os mosquitos de pernas longas e de asas barulhentas
se transformam em “monstros torturadores”, formigas e gafanhotos,
são um tormento que invadem a minha imaginação de
menino!!"
O carro retrata a fazenda de santa cruz, um mosquito gigante
no centro do carro, que está na imaginação do pequeno,
e atrás D. Pedro infante, se espanta com a exuberante natureza
dessas terras"
Autor: Criação - Eduardo Gonçalves,
ferreiro - Gilberto e equipe, carpintaria - Juarez e equipe, esculturas
e pintura de arte - Rema e equipe, fibra e reprodução -
Miltinho, decoração - Sônia e equipe;
Principais destaques :
Central alto - Lúcio Gomes - "Retratista de D. João"
Meio do carro - Marquinhos Andrade - "Borboleta - pintura de arte"
Centro baixo - Iuri Fegal - "Visão de arte"
Composição - "Pinturas e cores"
número da ala anterior à alegoria: Ala
17 - "Flores e plantas exóticas"
ROTEIRO DO DESFILE
Alegorias
4o ALEGORIA
Nome: "O livrode receitas de D. João VI -
banquete de nobres"
descrição: “Papai trouxe para o Brasil
inúmeros livros, muitos, muitos mesmo, tantos que originaram a
primeira Biblioteca Brasileira. Na verdade, no inicio, a Real Biblioteca
foi acomodada nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, tão
logo a coroa portuguesa se estabeleceu no país, em 1808. Porém,
o acesso a seu acervo geral era restrito a estudiosos mediante prévia
autorização! Foi apenas a partir de 1814, seguindo tendência
verificada em países liberais da Europa, que papai permitiu que
a biblioteca assumisse a primazia de seu caráter público.
E, em 1822, com a Independência, passou a denominar-se Biblioteca
Imperial e Pública da Corte. Mas tudo isso é para contar
sobre um dos livros que meu pai Dom João trouxe para cá.
Era um livro de culinária chamado “Arte de cozinha”,
editado originalmente no século XVII e que sofreu inúmeras
reedições, do “mestre de cozinha” Domingos Rodrigues.
Nele, poderíamos aprender a cozinhar vários guisados de
todos os gêneros de carnes, conservas, tortas, empadas e pastéis.
Assim como peixes, mariscos, frutas, ervas, ovos, laticínios, doces,
conservas do mesmo gênero. E também, como preparar mesas,
em todo o tempo do ano para receber, Príncipes e Embaixadores."
O carro é um grande banquete de Dom João
para nobres, príncipes e autoridades importantes. Na frente do
carro, mais uma brincadeira de estátua, dessa vez feita pelas personalidades
da mesa ( na verdade alunos do curso de mestrado em figurino e carnaval
da Univercidade Veiga de Almeida, que criaram e confeccionaram os figurinos!
); Livros representam a criação da Real biblioteca de D.
João.
Autor: Criação - Eduardo Gonçalves,
ferreiro - Gilberto e equipe, carpintaria - Juarez e equipe, esculturas
e pintura de arte - Sr. Celso e equipe, fibra e reprodução
- Miltinho, decoração - Sr. Arnaldo e equipe;
Principais destaques :
Central alto - Nedilson - "O cozinheiro do rei"
Central fruteira - Caricata Suzy Brasil - "Que uva!!"
Semi destaques lateral fundos - Camila e Suely - "Receitas do banquete"
Composição - "Doces e delícias dos reis"
número da ala anterior à alegoria: Ala 22
- "Prataria e porcelana do rei"
5o ALEGORIA
Nome: "Festa da Aclamação de D. João"
descrição: “Em 1816, morreu Da. Maria
I, minha avó, e papai subiu ao trono como D. João VI. Mas,
como a Corte precisava obter a ratificação da Regência
de Lisboa e da anuência das grandes potências européias,
D.João só foi aclamado, solenemente, no Paço Real
do Rio de Janeiro, em 06 de Fevereiro de 1818. Esta cerimônia consagrou
a Resolução Real transportando para o Brasil a sede da realeza
portuguesa."
O carro é uma grande festa para o rei. Uma enorme
escultura reproduz as homenagens alegóricas criadas na época
pelos comerciantes do Rio de Janeiro em homenagem a D. João. O
dourado predomina, representado o luxo e a riqueza da corte, na escadaria,
e no alto do carro, nobres, cariocas, portugueses e negros se juntam para
fazer a festa. D. João aparece sentado ao trono, ele é o
novo rei!! Fogos de artifício explodem no ar.....é festa,
é aclamação, é carnaval!!"
Autor: Criação - Eduardo Gonçalves,
ferreiro - Gilberto e equipe, carpintaria - Juarez e equipe, esculturas
e pintura de arte - Rema e equipe, fibra e reprodução -
Miltinho, decoração - Sr. Arnaldo e equipe;
Principais destaques :
Laterais alto - Genúncio e Helloback - "Nobres convidados"
Laterais ao pé do trono - Samille Cunha e Suely - "Festa para
um rei"
Composição - "Burguesia e povo em união, na
aclamação de D. João"
número da ala anterior à alegoria: Ala 27
- "Vi o seu povo aplaudir"
ROTEIRO DO DESFILE
Mestre Sala e Porta Bandeira
1o Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira
Número da ala anterior ao casal: Ala 12 - "Roedores
do Rio antigo"
Nome do Mestre Sala: Wanderson
Nome da Porta Bandeira: Jaqueline
Nome da Fantasia: "Sonho de Debret - A pintura das
borboletas"
Outras Informações: Wanderson e Jaqueline,
dançam juntos há 3 anos, e no ano passado ganharam o prêmio
samba net, e prêmio "Jorge Lafon" como melhor casal de
mestre sala e porta bandeira do Grupo B; A fantasia é confeccionada
pelo atelier Léo e Pedrão;
2o Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira
Número da ala anterior ao casal: Ala 19 - "Livro
de receitas de papai"
Nome do Mestre Sala: Cristiano
Nome da Porta Bandeira: Shaiene
Nome da Fantasia: "D. João e Carlota Joaquina"
Outras Informações: Cristiano e Shaiene
dançando juntos há 3 anos e representam em forma de caracterização
o prícipe D. João e sua esposa Carlota Joaquina com figurino
do banquete.
Mestre Sala e Porta Bandeira - Mirim
Número da ala anterior ao casal: Ala 23 - "A
Gazeta Nacional publicou"
Nome do Mestre Sala: Juan e Rafael
Nome da Porta Bandeira: Miriam e Juliana
Nome da Fantasia: "Enfeites da Aclamação"
Outras Informações: Os dois casais de mirins
da S.R.E.S.Lins Imperial é a prova que o samba se começa
cedo, e há 3 anos Juam e Míriam desfilam com casal mirim
da Lins. Essa ano eles tem a companhia de que são o primeiro casal
de mestre sala e porta bandeira da Infantes do Lins - escola de samba
de crianças do bairro do Lins.
SAMBA-ENREDO
Presidente da Ala dos Compositores: Sr. Pedro Paulo
Autores do Samba-Enredo: Silvão, Rodrigo Maia,
Francisco do Pagode, Aníbal, Jerônimo GG e Geovanna
Letra
Vem exaltar duzentos anos,
Chegou a Família Real
Brilhou no meu olhar de menino
Nos meus sonhos coloridos.
Canta a Lins Imperial...
Cruzando os mares,
No balanço das ondas vi surgir
Monstros do imaginário
Brinquedos e jogos do meu mundo infantil.
Ao aportar. O meu pai se encantou com esse lugar.
Viu um mundo diferente,
Na face do negro no jeito do vendedor,
Lindas paisagens, ele se maravilhou!
Essa terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá,
No encantar da Natureza! (bis)
Brilha noite em lua cheia,
Faz divino este luar.
Riquezas patrimônio cultural
Trouxe a Corte Real, transformação.
Orgulho, vi um líder verdadeiro
Entre gestos pioneiros ,
Real biblioteca ele criou !
Na arte, no teatro, no painel
Doces surgem do papel
Que gostoso paladar...
Meu Rio em festa!!
Na mais sublime união.
A cidade iluminada,
Fogos de artifício pelo ar ,
É Carnaval!! Deu manchete no jornal
Negros , Portugueses , cariocas,
Erguem as Mãos
Para aclamação de Dom João
Vi o seu povo aplaudir
A Lins Imperial é emoção (bis)
A voz que ecoa pelas ruas
Sua majestade Dom João (Rei Dom João)
Eduardo Gonçalves______________________
Nome do Responsável pelo material:
Eduardo Gonçalves
___________________________________ __20___/_12___/__2007___
Assinatura Data
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