CARNAVAL

Aqui não era carnaval, mas a tal de "Festa do Entrudo" - vinda da capital portuguesa, Lisboa. Nada de máscaras, blocos, desfiles de ruas. No carnaval carioca do século passado, as batalhas com água e outros tipos de brincadeiras faziam a animação do Rio. Mas logo no primeiro baile, realizado no dia 22 de janeiro de 1835, no Hotel Itália, os foliões cariocas não resistiram ao encanto das máscaras, bigodes postiços, da fantasia, enfim.
Adotar os acessórios que enfeitavam todos na festa de Momo, tudo bem. Mas nada de batuque de maracatu ou de qualquer outro ritmo que dava o tom do carnaval no Nordeste. No Rio, a polca era a dança que Momo e seus súditos teriam que aprender. Só quando chegou o Carnaval do Zé Pereira - período que marcou época no carnaval do Rio de Janeiro quando um sapateiro português, conhecido como Zé Pereira, em passeata pelas ruas, animava a folia carnavalesca - é que o som dos zabumbas e tambores animou os foliões por aqui. Essa abertura permitida deixou o samba à vontade para invadir as ruas e avenidas do Rio. Cuícas, tamborins, tambores, pandeiros e até frigideiras (espécies de panelas) - valia tudo para fazer o folião sambar. Estavam sendo formados os primeiros blocos e escolas de samba cariocas que nunca mais deixaram Momo parado no Rio de Janeiro.
Precedidos na escala do tempo pelos Ranchos, uma tradição autêntica do Carnaval brasileiro, sobre os quais, por sinal, as escolas de samba foram buscar os modelos e a estrutura do seu funcionamento, estas, no entanto, ao iniciarem seus desfiles pelas ruas do Rio de Janeiro, praticamente empolgaram o público e conquistaram desde então a primazia.
O primeiro desfile de escolas de samba ocorreu em 1932, na Praça Onze, sob a promoção do jornal Mundo Esportivo, tendo conquistado o 1o. Lugar a Estação Primeira de Mangueira.
O primeiro desfile de Escolas de Samba com arquibancadas para assistência e vendidas ao público, foi no Carnaval de 1962, na Avenida Rio Branco, com 3.500 lugares.


BATERIA
   

A BATERIA REÚNE DIVERSOS TIPOS DE INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO CUJAS PEÇAS ENCOURADAS DE BATIDAS UNÍSSONAS , DE SONS GRAVES E AGUDOS DÃO UM DESENHO AO RITMO.
O MOMENTO DE REAL IMPORTÂNCIA NO DESFILE É A ENTRADA E A SAÍDA DA BATERIA DO BOX , QUANDO É NECESSÁRIO UTILIZAR DE MUITA PRÁTICA E EXPERIÊNCIA PARA EVITAR A DESSARRUMAÇÃO DOS INSTRUMENTOS E O ATRAVESSAMENTO.
CABE AO DIRETOR DE HARMONIA O CONHECIMENTO ESPECÍFICO NESTE SETOR, ORIENTANDO E AUXILIANDO O MESTRE E O DIRETOR DE BATERIA.

Surdo de primeira

É o maior surdo e o que dá o andamento principal ao samba, servindo como base. Os puxadores se guiam por ele para não acelerar ou desacelerar o canto do samba. Em geral, há um surdo de primeira junto aos puxadordes, como guia. Tem uma afinação mais forte e mais aguda do que a dos surdos de resposta.

Surdo de segunda

É a resposta ao surdo de primeira. Serve como sustentação para o samba no momento em que o surdo de primeira está 'parado', sendo um contraponto.

Surdo de terceira

Aparece entre os outros dois (um pouco antes do surdo de segunda). Serve para dar um molho especial à cadência, quebrando a dureza dos outros surdos e dando um balanço à marcação. A batida varia de escola para escola, pois cada uma utiliza um tempo de corte.

Caixa de guerra

É o que dá o som característico ao samba. Só com o som da caixa já se pode identificar uma escola de samba. É sempre tocado com duas baquetas, e tem duas cordas sobre o 'couro' que dão uma afinação diferente. Marca o andamento, mas permite floreios que não ocorrem nos surdos. A forma como se toca uma caixa varia também de escola para escola: algumas utilizam o instrumento embaixo, na altura da cintura, tocando normalmente com as duas mãos; outras põem a caixa 'em cima', utilizando uma mão como apoio e a outra livre. O tarol é uma caixa de guerra mais fina. O som é muito semelhante, e o tarol, em tamanho, equivale a 'meia caixa'.

Repique

É uma resposta à caixa. É bastante utilizado nas paradinhas e nas viradas do samba, como 'senha' para a volta dos demais instrumentos. Antigamente, utilizava-se predominantemente o repique nas paradinhas. Hoje, já admite-se o uso de chocalhos, tamborins e outros, enquanto o resto da bateria silencia.

Chocalho

É formado por várias fileiras de 'chapinhas'. Há chocalhos com duas, três, quatro, cinco e até seis fileiras. Não há uma grande diferença no som dos chocalhos devido ao número de fileiras (mas uma maior quantidade de fileiras produz um som mais forte). Esse instrumento aparece mais nos refrões, e fica passagens inteiras do samba sem ser tocado. O chocalho ajuda a caixa a dar o suingue do samba, mas é mais leve.

Tamborim

É um dos instrumentos mais importantes, já que faz todo o desenho do samba. Enquanto os surdos e a caixa fazem uma marcação contínua, o tamborim faz diferentes bossas no samba. Sua baqueta pode ter ponta única ou múltipla, o que produz sons diferentes. Por sua importância dentro da bateria, o naipe de tamborins costuma ter diretores específicos para ele.

Cuíca

O som da cuíca é produzido através de uma pequena haste que fica em seu interior, que puxa um esticadíssimo couro que reveste o instrumento. Seu andamento é dependente da marcação dos surdos, que são seguidos pela cuíca. As cornetas e outros apetrechos que aparecem em algumas cuícas na Avenida são meramente decorativas.

Agogô

Tem um dos sons mais agudos da bateria. A bateria do Império Serrano é famosa por privilegiar seu naipe de agogôs, o que acabou por se tornar uma das maiores marcas da escola. Em 2001, serão mais de 50 agogôs na bateria da verde-e-branco de Madureira.

Reco-reco

Formado por uma haste e um pedaço de madeira (ou metal), seu som é produzido pelo atrito entre essas partes. Algumas baterias já não têm mais reco-recos entre seus ritmistas, mas muitas ainda mantêm esse instrumento. O instrumento observado à esquerda é feito de metal, assim como sua vareta.

Pandeiro

Dá um ritmo característico ao samba, mas tem um som pouco audível no conjunto da bateria. Por isso, muitas escolas aboliram o pandeiro de suas baterias. É usado como 'alegoria' por muitos ritmistas, que o tocam para as mulatas sambarem e fazem coreografias.

Prato

Outro instrumento utilizado basicamente como 'alegoria' pelos ritmistas. Em geral, as escolas têm uma ou duas pessoas com o prato, à frente da bateria, sambando e fazendo malabarismos com os pratos. O som, produzido pela batida de um prato no outro, é bastante forte.

A Bateria é o coração de uma agremiação, que sustenta com vigor a cadência indispensável para o desenvolvimento do desfile da mesma; o canto e a dança se apóiam no ritmo da Bateria.
O(s) intérprete(s) da agremiação sustentam a melodia do samba cantado, e dependem de um bom entrosamento rítmico (bateria) e harmônico (cavaco, violão e banjo), transmitindo aos componentes a alegria necessária para o bom desempenho no desfile, é o conjunto de instrumentos de percussão, comandado por um ou mais diretores, que conduz o ritmo para toda a Escola.
Em nosso Carnaval encontramos três tipos de Bateria: a pesada,que é aquela onde o som dos naipes graves se destacam; a leve, que é aquela em que o som dos naipes agudos se destacam; e a intermediária, que é a que tem o envolvimento sonoro de todos os naipes, no mesmo nível. O perfeito entrosamento dos naipes, cada qual com sua afinação, fará com que o julgador ouça perfeitamente todos eles, isso sim observando a tendência dos três tipos de baterias citadas acima.
Alguns instrumentos são considerados básicos e indispensáveis na formação de uma Bateria. São eles: SURDO (naipes graves), REPIQUE (naipes agudos), CAIXA (naipes agudos), TAMBORIM (naipes agudíssimos), CHOCALHOS (naipes agudíssimos). É através deles que se tem a referência para a análise rítmica da Bateria, devendo-se observar a equalização do mesmos. Assim como o andamento deve ser analisado através da pulsação dos surdos e seus complementos (citados acima).
A criatividade de cada Bateria não se discute, uma vez que ela é uma concentração popular eclética na sua formação, com a participação das mais diferentes classes sociais e culturais de nosso país, sendo assim cada entidade tem o direito de fazer o que bem entender nos seus desenhos rítmicos, ou seja, uma bateria pode conduzir todo o seu desfile sem que faça qualquer tipo de evolução rítmica no decorrer da apresentação, e também tem a liberdade de fazer qualquer tipo de breque convencional ou breque de silêncio, desde que nenhum deles causem descompasso no desfile da entidade. No caso de eventual(is) convenção(ões), o julgador deverá avaliar o efeito sonoro e a precisão da retomada após a mesmas, podendo marcar a pulsação no sistema mecânico, ou seja, acompanhar a primeira marcação e a segunda com o movimento das mãos, ou dos pés (marcação ou surdo) e avaliar o desempenho de seus complementos no intervalo das marcações.

HARMONIA    

HARMONIA é o resultado de ajustado entrosamento entre ritmo (Bateria) e canto (Melodia), os dois desaguando num sincronismo perfeito e, como perfeição, não admite hiatos, altos e baixos. Durante todo o desfile a Escola deve manter a mesma cadência, cantar com igual vigor e desfilar com a mesma desenvoltura, pois a quebra deste conjunto de fatores implicará em falhas de Harmonia, o que torna a função do julgador um profundo exercício de reflexão e sensibilidade, visto que a emoção dos desfilantes de cada Escola atingirá por certo o jurado deste complexo quesito.
Excepcionalmente uma Entidade pode cantar com perfeição e evoluir mal, por medir a carga de esforços empregada na primeira parte do desfile ou por falta de condições físicas de maioria de seus componentes. É muito difícil acontecer, mas não impossível; neste caso, a sua HARMONIA está prejudicada.
Sendo a HARMONIA o perfeito equilíbrio entre o ritmo e o canto, se uma Entidade não canta ou não mantém o ritmo, prevalecem todas ou quaisquer das seguintes hipóteses:
Não foi devidamente ensaiada, não sabe o Samba ou é incapaz de cantá-lo em uníssono;
O samba tem HARMONIA tão difícil que é impróprio ao canto coletivo;
A Bateria não se entrosou com o Samba e/ou não forneceu a cadência exigida.
Outro detalhe importante é verificar se a Escola manteve a constância, cantando o samba durante todo o tempo do desfile, pois de uns tempos para cá, tornou-se comum nos sambas enredo a feitura de um coro bem vivo (refrão) distribuído na letra, para dar a impressão que todos cantam, quando na verdade a Escola está cantando um pedaço do samba.


O Bailado do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira
   

Realizamos uma investigação sobre a dança do samba, no Bailado do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira, a partir da necessidade da arte, uma interpretação marxista de Ernst Fischer, tendo como passarela a Cidade do Rio de Janeiro e considerando o período do século XX, no qual o sambista se organizou em agremiações e ocupou o espaço físico e psicológico da cidade, abrindo as portas do espaço social, quebrando conceitos (samba, coisa do morro) e preconceitos (samba, uma quizumba). O trabalho tem o objetivo de verificar se, no caso da dança do samba, a arte, sobrepondo-se ao momento histórico, exerce o fascínio sobre o homem; e revelar a trama complexa de comportamentos e seus resultados em uma cultura, expressão de um mosaico fluido. No processo, comparamos diferentes linguagens em busca do bailado como um instrumento mágico capaz de conduzir o bailarino a viver e transmitir a experiência da humanidade; analisamos a dança como objeto de conhecimento inserido em uma cultura; examinamos, como atividade humana, em suas celebrações e simbolizações; descrevemos o contexto coreográfico, que, sendo cena, revelou-nos as suas características, e estudamos a estrutura formal, para identificar os elementos que compõem o trabalho artístico, sempre alumiadas pela voz de Fischer, o nosso teórico, e suas interlocuções com outros, que se apresentaram, para responder a nossos questionamentos. Felizes, concluímos que, intencionalmente, o sambista buscou instrumentos para tornar-se aceito no espaço da cidade, e a festa foi o motivo facilitador; sendo o samba, isomorfo de um mosaico cultural, alimentou-se com as trocas realizadas com o movimento modernista, e, juntos, ajudaram a construir o perfil da cidade, uma cultura verdadeiramente brasileira.

Palavras-chave: dança do samba - mestre-sala e porta-bandeira - samba - movimento modernista.

Trabalho de pesquisa da Mestre Eliane Santos de Souza, constante no acervo da AESCRJ desde 2003.


A Passarela do Samba    

Em 1o. de março de 1984 o Rio de Janeiro comemorava 419 anos de sua fundação e a cidade recebia como presente um complexo de linhas modernas e artísticas, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, destinado principalmente, ao conforto do público que a nossa cidade assistir a um dos maiores espetúculos de som, luzes e cores que é o desfile das Escolas de Samba. A primeira Escola a pisar na Passarela do Samba, foi a já extinta GRES Império do Marangá.
Durante o Carnaval, a Passarela do Samba recebe toda uma infra-estrutura de atendimento a jornalistas nacionais e internacionais no Pavilhão de Imprensa. Além de assistência especial a autoridades e corpo consular, há um trabalho planificado e constante de receptivo ao visitante estrangeiro com informações em vários idiomas, assim como ao público em geral. Paralelamente é montado um esquema de alimentação, serviço médico, telefônico e de segurança.

PISTA DE DESFILE EM DETALHES

A Passarela do Samba que mede 750 metros de comprimento e 13 metros e 50 cm de largura é composta ( ao longo da pista de desfile, sentido Av. Presidente Vargas – Largo do Catumbi) , à esquerda, por blocos de cimento armado ( setores 1-3-5-7-9-11-e13) e à direita por outros 4 ( setores 2-4-6), compostos por arquibancadas, camarotes e cadeiras de pista.
No principio da pista de desfile ( chamada área de armação), entre a Avenida Presidente Vargas e a rua Benedito Hipólito ( 150 metros de extensão) lado esquerdo, se localiza o primeiro bloco de arquibancada no chão. No lado direito localiza as Frisas e cabinas de autoridades publica, entre a frisa e a cabide de cronometrarem, localiza-se o 10 área das baterias ( recuo ou curral das baterias), asseguir vem uma longa faixa, e vasta, com 530 metros de extensão, tendo à esquerda 6 blocos de arquibancadas e camarotes, separados uns dos outros ( 3-5-7-9-11) formados por arquibancadas (acima) e camarotes (logo em baixo), elevados do chão cerca de 6 metros. Em baixo, quase nível do solo, ficam as cadeiras de pista, cujo conjunto esta separado da pista de desfile, por grades e poço de serviço. No lado direito, entende-se um bloco inteiriço, formado por camarotes de 3 andares ( setor 2), seguindo-se outro bloco de arquibancada e camarotes (setor 4), semelhantes aos dos setores do lado esquerdo, e separado da pista de desfile por uma grade.
Entre os setores 9 e 11, localiza-se a 20 área das baterias ( recuo ou curral das baterias).
Os setores 13 e 6 têm conformação idêntica: são gigantescas arquibancadas do alinhamento geral dos outros setores. Eles formam a chamada Praça da Apoteose, em cujo final se localizam o famoso Arco de Niemeyer e o Museu do Carnaval. No inicio da Praça, existe a chamada torre de televisão, com a altura de 10 metros ( também de cimento armado). Em frente aos setores 11 e 6, ficam outras cadeiras de pista.
Entre os setores 3e5 – 2 – 13 onde ficam as cabines de julgamento do desfile.

Fonte de Pesquisa:
Departamento de Engenharia e Topografia do Rio de Janeiro e Livro Memoria do Carnaval da Riotur. nicial


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